Saiba como reduzir perdas com aplicações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
Investir em bolsa de valores nos últimos tempos tem sido um desafio até para entendidos no mercado de renda variável. A volatilidade, ou seja, o sobe e desce das ações será a tônica este ano. A desvalorização dos papéis será maior, devido ao desaquecimento da economia global. A Bovespa já contabiliza queda de 30,13% nos últimos 12 meses. O mercado de ações despencou em papéis negociados, em maio do ano passado, de 74 mil pontos para 37,8 mil em janeiro. A estimativa do mercado é que, mesmo diante deste maremoto financeiro, o ano termine com uma valorização próxima aos 50 mil pontos na Bovespa. Nada mal, o difícil é saber tirar proveito da crise diante desta oportunidade de crescimento da bolsa e, na pior das hipóteses, reduzir danos.
Certo é que a crise não passou, está, segundo alguns analistas, só começando. O motivo são as companhias europeias e americanas, que neste semestre divulgarão seus balancetes. O final do ano fiscal destas economias se dá neste período, e os primeiros balanços divulgados por empresas e bancos de fora expressam preocupação não só recessiva. ''Já se fala em depressão econômica mundial'', comenta Dalton Baub, assessor de Investimentos da Corretora Método.
O caminho é longo para recuperação econômica e até certo ponto tortuoso. ''Devemos saber o rombo financeiro real do mercado mundial neste semestre'', prevê Lucas Schietti, gerente da Corretora Um. O sinal que as economias estão dando nos quatro cantos do mundo é que deve demorar cinco anos para se retomar o crescimento verificado até outubro do ano passado, quando o PIB (Produto Interno Bruto) mundial médio dos últimos 16 anos girou na casa de 5%. O Brasil chegou neste espetáculo econômico tardiamente, com PIB semelhante no ano passado.
Para esta reengenharia de aplicar em ações num ambiente de crise, o investidor passou a optar por companhias que não perderam muito, principalmente aquelas que na média ficaram próximas do índice Bovespa de 30,13% de perdas, para mais ou para menos. É o caso da Vale, que teve perda maior do que a bolsa brasileira, com índice negativo de 33,89% de desavalorização nos últimos 12 meses. Nem a Petrobras escapou, perda de 31,50% para seus acionistas. Mas Petro e Vale podem valorizar no longo prazo e, portanto, as perdas são circunstanciais, segundo os analistas.
Baub aponta também companhias que obtiveram lucros expressivos, mesmo num ambiente inóspito que se tornou o mercado financeiro nos últimos meses. É o caso do setor de bebidas, que verificou um ganho real de 13,25% de valorização de papéis. A companhia de cigarros Souza Cruz e a de cartões de crédito Redcard, respectivamente, +0,44% e +17,67, no mesmo período de um ano.
Comprar ações na baixa pode parecer um jargão surrado, mas não é menos verdade de que na crise aparecem as grandes oportunidades. A reflexão de Baub da Método, reside no fato de que este é o momento de se encontrar oportunidades, é claro, ''com parcimônia e uma certa dose de sorte''. ''Sim, qualquer aplicação em bolsa implica em riscos e ganhos'', reforça.
Sobre onde estariam estas oportunidades, o executivo da Um Investimentos, Thiago Schietti, recomenda uma análise das companhias e seus respectivos nichos de mercado. ''É necessário evitar danos das carteiras de investimentos neste ano. É o que estamos fazendo na corretora'', sinaliza Thiago, ao recomendar investimentos em até cinco companhias para proteger a cesta de ações.


