Curitiba - Como chegar ao primeiro R$ 1 milhão? Ganhando um prêmio de loteria. Esta seria a resposta da maior parte das pessoas. Atingir esta cifra exige mais do que ter um trabalho assalariado e depende de outras iniciativas, como fazer um plano de previdência privada, manter uma aplicação financeira, aproveitar oportunidades e até abrir um negócio próprio depois de algum tempo de carreira. Atingir o sonho do primeiro milhão esbarra diretamente em construir um projeto de vida e não ter uma postura passiva.
  ‘‘O maior furo está na falta de educação financeira nas escolas’’, disse o escritor e consultor financeiro, Gustavo Cerbasi. Para ele, o modelo educacional brasileiro está limitado a disciplinas teóricas. ‘‘A população não foi educada para poupar e gastar com qualidade e gasta muito com juros’’, disse.
  Cerbasi explica que, em algumas situações, com R$ 1 mil a pessoa pode criar o primeiro negócio. Para ele, não basta apenas poupar dinheiro. É preciso acompanhar as oportunidades de compra e venda de bens como carro e terreno. ‘‘As pessoas não acreditam no milhão e, muitas vezes, dependem apenas do salário’’, disse. O consultor destacou que a realidade do País hoje é que não há emprego para todos.
  Uma das primeiras decisões que a pessoa deve tomar é contratar um plano de previdência desde o recebimento do primeiro salário, nem que seja no valor de R$ 50,00 por mês. Este tipo de produto pode proporcionar um padrão de consumo e de conforto mais seguro. Ele citou como exemplo um plano de previdência de R$ 100,00 para pagar a faculdade de um filho. Com um rendimento de 1% ao mês, o valor atingiria R$ 60 mil em 18 anos. Caso o jovem guardasse esse dinheiro até completar 60 anos, teria uma soma de R$ 3 milhões na conta, calcula Cerbasi.
  ‘‘Não existe visão de longo prazo no Brasil. Aprendemos a consumir porque existia a cultura do governo federal confiscar o dinheiro da poupança, duas empresas de previdência privada e três bancos quebraram. Por isso, convencer essa geração que viveu tudo isso a poupar é muito difícil’’, explicou.
  Ele defende que se a pessoa poupar 10% do salário durante 30 anos vai conseguir manter a mesma média de renda na aposentadoria. Caso seja possível, Cerbasi recomenda poupar 15% da renda mensal. Para isso, ele orienta que a pessoa procure bancos sólidos que estejam entre os cinco maiores do Brasil.
  ‘‘Temos que ter a segunda carreira que é a que nunca nos demitem: montar o próprio negócio’’, disse. O grande problema, segundo ele, é que o empreendedor faz isso quando fica desempregado e, muitas vezes, não tem capital e nem como se capacitar para isso. ‘‘Quando a pessoa tem capital, conta com uma margem de erro (no negócio próprio)’’, disse.

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