Saia do vermelho sem ficar desesperado
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Como sair das dívidas, do vermelho, do cheque especial, dos juros do cartão de crédito, das mãos de agiotas...? À espera de um milagre, muitas pessoas devem se fazer essa pergunta diariamente, sem encontrar uma solução: tudo parece difícil demais e as contas, literalmente, sem fim. Mas há saída para o problema, e mais do que isso: as alternativas podem ser menos traumáticas do que parecem.
O consultor de finanças Gustavo Cerbasi afirma que o problema tem que ser analisado sem que pareça uma tragédia. ''A pessoa pode sair das dívidas se divertindo'', garantiu ele, destacando que o início do ano é um bom período para organizar o orçamento. Antes de tudo, porém, o consultor avisa que é preciso fazer um levantamento de todos os débitos e analisar o como o endividado chegou até aquela condição.
Segundo ele, algumas famílias enfrentam problemas de saúde, desemprego e outros imprevistos que desencadeiam um endividamento. No entanto, muitas outras gastam mais do que podem e querem manter um estilo de vida que não se encaixa no orçamento doméstico. ''Muitos gastos são opcionais: a casa que a pessoa quer manter, o carro que comprou, a escola dos filhos, que tantas vezes estão acima do padrão familiar'', frisou.
A partir dessa análise, e se for possível, Cerbasi recomenda que os devedores eliminem alguns financiamentos ou despesas extras. ''Se o carro ou a casa forem financiados pode ser interessante trocar os bens por outros mais em conta, o que diminui as prestações. Ou até mesmo vender o imóvel e alugar um mais barato e liquidar a dívida. Com o tempo, e mais tranquilidade financeira, a pessoa consegue juntar dinheiro e comprar outro'', frisou. Conforme ele, a medida pode parecer radical, mas evita altas taxas de juros de empréstimos bancários, por exemplo.
É fundamental também que a família se reúna e converse sobre o assunto. ''Os pais podem até propor aos filhos que se trata de uma gincana - obviamente com data para terminar - e que durante determinado período não poderão comprar roupas e sapatos novos e terão que economizar com as compras de supermercado'', brinca Cerbasi, afirmando que o problema deve ser encarado com divertimento. E acrescenta: ''nesses momentos é preciso tomar atitudes arrojadas em relação às dívidas e não à família. Clima negativo e mau-humor só pioram as coisas''.
O consultor ainda sugere que os endividados peçam ajuda a familiares e amigos próximos. ''Não precisa ser diretamente dinheiro emprestado, pode ser uma opinião, uma orientação. A pessoa ainda pode se autoconvidar para jantar na casa da pessoa, como forma de aliviar as despesas do supermecado, e até mesmo pedir para tomar banho. Parece engraçado, mas já ajuda a resolver o problema'', garantiu Cerbasi.
As bondades podem se estender ao pagamento de uma entrada no cinema, um jogo de futebol e até mesmo uma pizza. Obviamente, conforme o consultor, o endividado vai ter que contar com a solidariedade das pessoas.


