Vânia Casado
De Curitiba
A colheita de milho safrinha no Paraná já atinge 30% da área de aproximadamente 1 milhão de ha. Apesar disso, a oferta é lenta: 5% a 10%. Os produtores estão optando por armazenar os grãos à espera de preços melhores, conforme previsão de mercado para setembro/outubro. Os preços estão se sustentando em R$ 8,10 a saca ao produtor e entre R$ 8,60 a R$ 9,00 no atacado.
O assessor econômico da Ocepar, Flávio Turra, afirma que o milho safrinha está mais competitivo que o produto importado que chega à indústria por R$ 13,00 a saca. O início da colheita do milho safrinha tem revelado uma produtividade de 2.634 kg/ha, índice considerado satisfatório, apesar de ser inferior à produtividade da safra passada (3,2 mil kg/ha). Ocorre que essa produtividade foi excepcional e não tende a se repetir esse ano, observa a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, Rossana Catiê Godoy.
Com menor produtividade, a produção deverá ser de 2,8 milhões de t, 6% maior que a do ano passado (2,7 milhões de t). ‘‘Só que este ano, a área ocupada foi 30% maior que a do ano passado’’, observa Catiê. O Paraná já contribui com 45% da safra nacional de inverno, 5,5 milhões de t na previsão da Conab.
A expectativa de rentabilidade é de 43% para quem faz plantio direto, considerando que os custos de produção calculado está em torno de R$ 5,73 a saca. Catiê lembra que o milho safrinha garante uma rentabilidade maior que a safra normal, porque o produtor usa pouca tecnologia, geralmente aproveita os resíduos da soja e investe pouco em fertilizantes.
Para Flávio Turra, o plantio de milho safrinha está se tornando uma opção interessante no Paraná, porque a colheita ocorre num período de liquidez maior para o grão e o custo de produção geralmente é baixo. Até agora, a colheita tem revelado uma produção normal, sem grandes problemas.
As lavouras que registraram perdas no início de abril com a ocorrência de geadas se recuperaram e o ciclo da cultura voltou ao normal. A tendência dos produtores, segundo ele, é de segurar a produção. ‘‘O produtor imagina que passada a oferta da safrinha e redução da oferta global de milho, os preços se recuperem até o final do ano’’, prevê Turra.

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