Vânia Casado
O anúncio de aumento de área plantada com milho safrinha no Paraná, que superou a marca de um milhão de hectares, não foi suficiente para derrubar os preços do produto, que mantém-se em alta desde o mês de fevereiro. O preço pago ao produtor está variando de R$ 8,50 a R$ 8,80 saca e não há perspectiva de queda no curto prazo. Pelo contrário, daqui para frente o mercado fica cada vez mais dependente do desempenho da safrinha, avalia a engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo.
Já era esperado que este ano a produção nacional de milho seria inferior ao consumo. A Conab previa uma produção de 32 milhões de toneladas e consumo de 35 milhões de t. Para agravar a situação, o estoque de passagem, de 2 milhões de t é um dos menores dos últimos anos. Ocorre que a estimativa de produção também terá que ser reavaliada para baixo, disse Vera Zardo. Isso porque a previsão foi feita levando em consideração que a safrinha de milho fosse render 5,8 milhões de t em todo o país.
Mas o clima está frustrando as estimativas otimistas e, certamente, a Conab vai reavaliar a expectativa de produção, acredita Vera Zardo. Isso porque o cálculo foi feito com base no rendimento da safrinha do ano passado, que ficou acima das expectativas com uma produtividade de 3.300 kg/ha. Esse ano, a cultura vem sendo castigada pelas geadas, baixas temperaturas e até falta de chuvas.
A estimativa de produção foi reavaliada para 2,75 milhões de t, que corresponde a uma redução de 140 mil t sobre a expectativa inicial de produção que era 2,89 milhões de t. A quebra de 5,5% do milho safrinha ocorreu em todas as regiões produtoras. Mesmo assim, se a estimativa de produção for confirmada, ainda será um bom resultado, avalia a técnica. Ela alerta que 85% das lavouras de milho safrinha ainda dependem de clima para evitar novas quebras.
O crescimento da área plantada com a safrinha surpreendeu esse ano, atingindo áreas marginais que antes não era ocupadas. Para se ter uma idéia até regiões mais frias, como Toledo, Cascavel e região Centro Sul, que apresentam maior risco para o milho no inverno, tiveram crescimento no plantio do milho safrinha. Na região Centro-Sul, a área plantada cresceu 160%, passando de 9.800 hectares no ano passado, para 26.000 ha.
Junto com a reavaliação do plantio do milho safrinha, o Deral divulgou uma pesquisa sobre o sistema de implantação da cultura no Estado. Esse ano, 70% do plantio de milho safrinha foi feito em área ocupada anteriormente pela soja, 16% foi plantado sobre a cultura do milho da safra normal, 10% sobre o plantio do feijão e o restante sobre outras culturas.

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