Safrinha do milho será maior pela primeira vez
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segunda-feira, 11 de outubro de 2004
Mauro Zafalon<br> Folhapress 
São Paulo - A partir deste ano, o Paraná, líder nacional na produção de milho, deverá rever os conceitos de safra. O que era considerado só uma safrinha e uma complementação na produção de milho nos últimos anos o cultivo no período de inverno deverá passar a ser a principal safra do Estado.
Se confirmados os dados do Departamento de Economia Rural (Deral), será destinado à safra de verão, a que está sendo plantada agora, apenas 1,25 milhão de hectares de terra, área que vem mostrando redução ano a ano nesse período. Já o plantio da chamada safrinha cultivo do milho durante o inverno subirá para 1,4 milhão de hectares, suplantando a área de verão pela primeira vez na história.
''O mercado de milho virou de ponta-cabeça'', segundo o analista Fernando Muraro, da Agência Rural de Curitiba. Fatores internos e externos assustam os produtores, que, apesar da forte redução nos preços da soja, ainda preferem a oleaginosa.
Internamente, três fatores pesam na decisão dos produtores, segundo a pesquisadora Vera Zardo, responsável pelo setor de milho do Deral. O primeiro se refere a custos, um item que está furando o bolso de todos os produtores, mas que, no caso do milho, é ainda mais acentuado. Nas últimas duas safras, o custo de produção do milho subiu 106%, enquanto o do trigo aumentou 59%, e o da soja, 57%.
A taxa do câmbio neste segundo semestre também foi uma ducha de água fria no setor. O produto brasileiro, de boa aceitação no mercado externo, perde competitividade devido à valorização do real em relação ao dólar. Outro fator que afasta os produtores do plantio do milho é a paralisação do mercado interno, segundo Zardo. Apesar do recorde nas exportações de carnes, a analista diz que o produtor ainda não se sente seguro em investir na produção de milho apenas para o consumo interno.
A conjugação desses fatores torna o cenário incerto e derruba os preços. No ano passado, os produtores chegaram a negociar a saca de milho a R$ 25. Hoje o produto vale R$ 14 no Paraná. Mas não são apenas os fatores internos que trazem incertezas para o milho. Muraro diz que o cenário internacional de 2005 também trará profundas mudanças. ''Este foi o ano do hemisfério Norte'', diz ele. Há excesso de produção de soja, milho, trigo e canola. E essa boa produção por lá vai dificultar a comercialização do produto brasileiro.


