Safrinha deste ano é recorde no PR
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sexta-feira, 27 de março de 1998
Vânia Casado Curitiba 
ArquivoRisco calculadoProdutor assume o risco do inverno e planta mais milho: preço vai compensar O plantio de milho safrinha no Paraná é recorde e revela que os produtores estão apostando na cultura para recuperar a produção da safra normal, que esse ano é 18% menor que a safra passada. Cerca de 60% da área com milho safrinha já foi plantada no Estado, devendo atingir 758.000 ha. Isso corresponde a um aumento de 10% sobre a safra anterior (692.000 ha), segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
Se confirmada a produção estimada pelo Deral, de 1,85 milhão de t, ela vai representar uma elevação de 80% sobre a produção anterior (1,07 milhão de t). O técnico Altair Araldi, do Deral, ressalta que se não houver estiagem ou fortes geadas nas regiões Oeste e Norte, onde se concentra o plantio do milho safrinha, as condições são propícias para atingir a estimativa, já que o desenvolvimento da área plantada está bom. Se o clima for favorável, o milho safrinha será a salvação da lavoura para a onda de alta nas cotações de milho, que se espera para os próximos meses, assinalou Araldi.
Vai faltar milho A oferta de milho está escassa em todo o País e a produção da safrinha será o ponto de equilíbrio na comercialização. Enquanto isso, os produtores não estão querendo vender a produção, à espera de uma reação nos preços. Eles preferiram concentrar o trabalho na colheita de soja, deixando o milho para o próximo mês, quando deve se agravar o quadro de abastecimento.
Para o analista da agência Safras e Mercados, de Curitiba, Paulo Molinari, é bem provável que ocorram surpresas em abril, quando as empresas paulistas entrarem firme no mercado em busca da matéria-prima em outros Estados. A colheita em São Paulo está no final e certamente as empresas paulistas vão buscar o milho em outras regiões para completar suas necessidades, o que deve provocar uma alta no mercado. Segundo Molinari, o consumo de milho em São Paulo está avaliado em 6,3 milhões de toneladas por ano.
No Paraná, o preço médio pago ao produtor é de R$ 7,50/saca, quando no ano passado, nessa mesma época, os preços haviam despencado para menos de R$ 6,00 a saca em consequência da superprodução, comparou Araldi. A expectativa das cooperativas é que vai faltar milho no mercado. Só na área de influência da Copacol, em Cafelândia, região Oeste, o plantio de milho safrinha teve uma evolução de 200%, passando de 4.000 hectares para 12.000 ha.
Apesar do quadro de escassez, o operador de mercado da Copacol Domício Zaboti, alerta que a situação deve ser de cautela. A Argentina está de olho no mercado brasileiro e espera exportar para cá também o milho, a exemplo do que já faz com o trigo e este ano, com o algodão. A Argentina prevê colher uma superprodução de 18 milhões de t de milho e só consome 5 milhões.


