O aumento na oferta do milho, com o início da colheita da safrinha, está exercendo pressão de baixa no mercado, apesar dos indicadores apontarem para uma reação no curto prazo. A queda no preço do milho no Paraná já é da ordem de 4,8% nos últimos 15 dias. No início do mês, o preço pago ao produtor estava em R$ 11,06 a saca e ontem, R$ 10,56 a saca, conforme o levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral). Em Ponta Grossa, o milho teve uma queda de R$ 1,00 por saca. Ontem, poderia ser comprado a R$ 11,50 a saca.
Tem corretoras afirmando que o produtor perdeu oportunidade de vender o milho a R$ 12,50 a saca, que foi um preço atingido no mês passado. Daqui para frente, até esperar o mercado reagir novamente o produtor terá que arcar com custos financeiros e custos operacionais para carregar o estoque até o final do ano, quando se prevê um aquecimento forte nos preços.
Segundo o corretor, o milho perdeu a liquidez porque junto com a entrada da safrinha do Paraná e de outros estados, o segmento da avicultura decidiu reduzir os alojamentos. A Avipar anunciou uma redução de 10% nos alojamentos, mas tem empresas que estão reduzindo até 15% os abates de aves, o que vai implicar numa redução da compra do milho. Além disso, tem a liberação do milho importado suspeito de ser transgênico, que deverá aumentar a oferta do produto para as grandes empresas.
A opção de mercado para o produtor evitar as oscilações bruscas de mercado é travar posições no mercado futuro na Bolsa de Mercadorias e Futuros. A operação exige profissionalismo por parte do produtor, mas tem a vantagem de livrá-lo da dependência do mercado físico.
Por outro lado, existem fortes pressões de altas que estão rondando o mercado. Flávio Turra, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), afirma que a quebra na safra nacional da safrinha está estimada em 1 milhão de toneladas. A expectativa era colher 6,6 milhões de toneladas e agora ela foi reduzida para 5,6 milhões de toneladas. Turra adverte que a quebra será maior se a seca continuar.

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