Brasília - O Brasil usará satélites para ter estimativas de safra semanais, e não mais a cada dois meses, como ocorre hoje. Isso será possível com o ''Projeto de Aperfeiçoamento Metodológico do Sistema de Previsão de Safras no Brasil'', lançado ontem pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. ''Só ficamos sabendo o tamanho da safra brasileira oito meses depois que ela foi comercializada. É impossível para o produtor rural brasileiro ter qualquer domínio em relação aos mecanismos de comercialização e ao preço dos produtos'', afirmou Rodrigues, em discurso na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O levantamento da safra passará a ser feito por meio de geotecnologias (sensoriamento remoto) com o uso de geoprocessamento por satélite (GPS). Esse sistema, disse o ministro, facilitará o trabalho de adoção de políticas públicas de apoio aos produtores. Ele citou as medidas de apoio aos produtores de milho e soja do Sul do País, que tiveram suas safras reduzidas em 10 milhões de toneladas na comparação com as previsões iniciais, como resultado da seca que castigou as lavouras.
''Sempre estamos correndo atrás do prejuízo. Se o governo tivesse informação antecipada, quando o prejuízo tivesse consolidado já teria políticas públicas'', afirmou. A expectativa do presidente da Conab, Luís Carlos Guedes Pinto, é ter uma primeira avaliação, com o novo sistema, de área plantada no final deste ano.
Inicialmente, o levantamento ''informatizado'' se restringirá a seis Estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso e São Paulo. Serão feitos levantamentos para as culturas de citros, especialmente laranja, cana-de-açúcar, soja, milho e café. O presidente da Conab não estimou em quanto tempo a estimativa será ampliada para as demais culturas e Estados. Nos próximos três anos, os gastos serão de R$ 13 milhões, recursos oriundos do orçamento da Conab.
O levantamento de safra via satélite permitirá aos produtores agrícolas comercializarem melhor a sua produção. Com a tecnologia, os produtores poderão vender sua produção no melhor momento, quando as estimativas indicarem safra acima ou abaixo do estimado do anteriormente. Além disso, permitirá ao governo adotar políticas de apoio quando houver excesso ou redução na safra.
Rodrigues defendeu a estimativa de safra ''informatizada'' seja ampliada também para os países do Mercosul. ''Se não tivermos essa informação em bloco, como é que podemos falar em bloco comercial e em articulação no Mercosul e com terceiros países?'', questionou.

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