São Paulo O secretário nacional de Política Agrícola, Ivan Wedekin, disse ontem que o próximo plano de safra, para o ano 2004/05, deverá transferir recursos da área de investimento para a área de apoio à comercialização. Segundo ele, esta será uma contingência do orçamento apertado que o Ministério da Agricultura terá de manobrar. ''Quando um produtor compra um trator, é claro que ele tem um ganho de produtividade, mas quando há garantia de um preço mínimo para um produto, é toda a cadeia que ganha com esses recursos de capital de giro'', afirmou.
Wedekin participou do Painel Setorial da Cadeia Agrícola, promovido pela Serasa, em São Paulo. Em sua exposição, o secretário enumerou alguns projetos do Ministério para aumentar a performance do setor.
Na área de apoio à comercialização, Wedekin citou a criação de uma sociedade de fim específico para auxiliar na comercialização do café. ''A idéia seria criar uma espécie de Conab para o setor, e já existe um projeto do consultor Paulo Rabello de Castro, que está sendo discutido pela cadeia'', afirmou. Segundo Wedekin, as cooperativas estão atualmente negociando com uma trading os moldes de uma possível organização desse tipo.
O secretário de Política Agrícola disse que o lançamento de contratos de opções de venda de milho pela iniciativa privada poderá ocorrer já em fevereiro. ''O projeto já foi discutido pelo Ministério da Agricultura e Conab, e teremos ainda mais uma reunião com alguns representantes da cadeia do milho'', disse o secretário.
Ele explicou que a proposta do governo é criar um instrumento de suporte à comercialização mais efetivo. Pelo sistema, os compradores de milho da agroindústria lançariam contratos de opção de venda para os produtores, com um prazo de exercício e locais de entrega que ainda estão sendo discutidos. O leilão dos contratos e a fiscalização do exercício ficariam por conta da bolsa, se a proposta fosse aprovada pela câmara do milho.
O governo também cumpriria a sua parte, fazendo o que Wedekin descreveu como um PEP futuro para a indústria. ''A idéia é o governo fazer um leilão de prêmios que a indústria poderá arrematar e utilizar para pagar o exercício das opções ao produtor'', explicou.
Segundo Wedekin, o método poderia aumentar o poder de fogo do governo no apoio à comercialização. ''Quando o governo lança opções, a responsabilidade fiscal ordena que sejam reservados recursos para o exercício de 100% dos contratos'', explicou. ''Com o pagamento apenas de um prêmio percentual, a nossa capacidade de apoiar a produção é ampliada'', afirmou.
O secretário informou que o programa deverá ser estendido a outros produtos agrícolas. ''O milho é apenas o primeiro'', explicou.
Wedekin afirmou que o governo está estudando formas de reduzir o custo do crédito para a produção agrícola. Um dos instrumentos é o fortalecimento do seguro rural à produção. Um projeto de lei que já passou pela Câmara autoriza o Tesouro Nacional a financiar parte do prêmio do seguro rural. ''Isso deve aumentar a atuação das seguradoras da área, e com um seguro que funcione, o risco do financiamento ao produtor cai'', explicou.

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