Rio de Janeiro A próxima safra de grãos deve enfrentar sérios problemas de escoamento por causa da falta de investimentos em infra-estrutura e logística. A afirmação foi feita ontem pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em palestra no 5º Congresso de Agribusiness. Segundo ele, os investimentos previstos na ampliação do Porto de Paranaguá, por exemplo, não serão suficientes para atender ao crescimento de cerca de 5% no volume da safra, que deve chegar a 128 milhões de toneladas de grãos.
O ministério está preparando um mapa para identificar onde ficam os gargalos e os principais obstáculos ao crescimento agrícola no País. O levantamento será encaminhado ao Ministério dos Transportes.
Além disso, segundo Rodrigues, já está em andamento o programa que deverá dar a alguns armazéns o status de depósitos alfandegados, o que facilitará a liberação de exportações. ''Ainda assim vamos precisar da participação de investimentos privados para evitar problemas mais sérios na próxima safra'', comentou.
O ministro disse que ''era feliz e não sabia'' ao comentar a responsabilidade do governo na construção de infra-estrutura. ''Em todos os anos anteriores, eu vim aqui para fazer palestras e aproveitei a oportunidade para criticar o governo. Hoje, vejo que o que exigia do governo levaria quatro mandatos para que pudesse ser feito'', disse, em tom de brincadeira, dirigindo-se ao ex-ministro Pratini de Moraes, presente à mesa de abertura do evento como presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carne.
O ministro defendeu a formação de parcerias público-privadas (PPPs) para solucionar ''os sete entraves'': 1) tecnologia, 2) logística, 3) defesa sanitária, 4) reforma agrária, 5) comercialização agrícola, 6) negociações internacionais e 7) necessidade de formação de lobby organizado do setor para atuar tanto entre parlamentares quando na imprensa. ''É importante haver um maior engajamento do setor privado em todos os estes setores. O governo não pode fazer tudo sozinho'', enfatizou.

mockup