Safra será dos pequenos moinhos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 1999
Vânia Casado 
Técnicos e dirigentes de cooperativas que participaram ontem do Fórum Técnico do Trigo, em Cascavel, ficaram frustrados com a falta de anúncio oficial do preço mínimo do trigo para a safra 98/99. Com a informação extra-oficial do técnico da Secretaria Nacional de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, José Maria dos Anjos, que o preço mínimo do trigo será fixado em R$ 185,00/tonelada, o desestímulo foi geral.O prometido apoio do governo federal para promover a expansão da cultura do trigo no país e reduzir a dependência externa não virá dessa vez, lamentaram os dirigentes de cooperativas. Eles sugeriram ao governo federal um preço mínimo de US$ 140,00 a tonelada, para compensar o aumento dos custos de produção.
Com a falta de apoio do governo, o produtor terá que apostar no mercado para vender sua produção. E desta vez, os compradores mais assíduos serão os pequenos e médios moinhos, mesmo que eles mantenham o ritmo de compra da mão para a boca. Ocorre que esses moinhos não têm mais matéria-prima para trabalhar, com o fim do estoque da produção nacional e deverão ficar parados por 90 dias, entre maio e julho. Em agosto, quando começa a colheita das primeiras lavouras, serão os primeiros a retomar o mercado e comprar a produção nacional, prevê o diretor da Cotriguaçu, Sibaldo Waclawovsky.
Em função disso, o produtor deve estar mais de olho no comportamento do mercado, do que no valor do preço mínimo, que certamente será inferior ao custo de produção, orienta Waclawovsky. Ele alerta que o produtor deve estar ciente do risco que vai assumir, porque nenhum moinho vai carregar o estoque do produtor e ele terá que achar outras alternativas para o seu financiamento.
Para financiar a comercialização de trigo o governo deverá recorrer ao crédito parcelado de custeio, que prevê a quitação da fatura em cinco vezes, com um período de carência de 60 dias após a colheita. Esse sistema é novo e veio em substituição aos EGFs (Empréstimos do Governo Federal), que não estão previstos no orçamento deste ano, explicou José Maria dos Anjos.
Apesar da realidade difícil para os triticultores, o técnico da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), Paulo Magno, traçou um quadro otimista sobre o desempenho da safra de trigo no país. Ele estima que a produção nacional será de três milhões de toneladas, um aumento de 40% sobre a produção anterior que foi de 2,2 milhões de toneladas. Para a Conab, a expectativa de preços no período da comercialização é de R$ 250,00 a R$ 260,00 a tonelada, preço que deverá ser pago pelos pequenos e médios moinhos, que estarão ávidos por retomar as atividades.


