Safra recorde provoca filas no porto
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Vânia Casado 
Com a intensificação da colheita de soja no Paraná, os caminhões estão se avolumando nas imediações do porto de Paranaguá para descarregar a mercadoria. Ontem, a fila de caminhões se estendia por 20 quilômetros além da entrada para o pátio do porto. O período de espera, entre 10 e 12 horas, tende a aumentar à medida que cresce o número de caminhões que chega no porto.
Passaram pelo pátio do terminal, neste final de semana, 3.127 caminhões carregados com soja em grão, farelo e açúcar. O movimento diário atinge cerca de 1.000 caminhões por dia e tende a aumentar a partir desta semana, informou a assessoria do porto. Do total de caminhões que passaram pelo porto, 224 estavam carregados com a soja paraguaia, que voltou a ser escoada após a abertura das fronteiras e a normalização do trânsito na ponte da Amizade.
Os funcionários do entreposto paraguaio, localizado em Paranaguá, afirmam que o escoamento da soja paraguaia via porto de Paranaguá ainda não aqueceu. Este ano a safra de soja no Paraguai foi boa e espera-se dobrar a exportação do grão. No ano passado foram exportadas 92.000 toneladas por Paranaguá e este ano espera-se exportar 200.000 toneladas.
Apesar do movimento intenso no porto de Paranaguá, os paraguaios estão procurando rotas alternativas para exportar a soja. Segundo o diretor do sindicato das Transportadoras de Cargas de Foz do Iguaçu, Saulo Ivo Lamb, ficou inviável exportar a soja paraguaia via porto de Paranaguá.
O excesso de burocracia, pagamento de taxas e custo do pedágio nas estradas brasileiras tornaram os custos de escoamento do grão proibitivos. Lamb acusa órgãos do governo brasileiro como ministério da Agricultura e Receita Federal de cobrarem altas taxas para trabalhar e liberar as cargas noturnas, período permitido para o transporte da soja paraguaia pela ponte da Amizade.
Com isso, as transportadoras que trabalham na fronteira entre Brasil e Paraguai estão passando por imensas dificuldades, disse Lamb. Segundo ele, os paraguaios estão exportando a soja via Uruguai. A mercadoria é transportada em barcaças pelo rio Paraguai e Paraná até o rio da Prata, de onde é exportada. São rotas mais ágeis, sem burocracia e a um custo mais baixo.
Também os pedágios estão onerando o transporte da soja paraguaia, apontou. Segundo Lamb, as transportadoras brasileiras já chegaram a movimentar 600 caminhões por dia do Paraguai até Paranaguá em período de pico de safra. Hoje não conseguimos movimentar mais de 60 caminhões por dia, ou seja 10% do movimento anterior, lamentou.


