A produção agrícola brasileira poderá ser melhor do que a que o governo espera. O terceiro levantamento de safra da Agroconsult, divulgado ontem, aponta para uma safra de 94,29 milhões de toneladas em 2000/1, com alta de 11,6% em relação aos 84,48 milhões deste ano.
O governo divulga hoje uma previsão da safra agrícola 2000/1, em Brasília. Os dados, no entanto, não serão tão favoráveis quanto os previstos pela Agroconsult. O ministro da Agricultura deve manter a previsão média de 91 milhões de toneladas para o período.
A área plantada cresce pouco (0,7%), mas a produtividade será bem melhor nesta safra, diz André Pessôa, da Agroconsult. Os produtores estão usando sementes de melhor qualidade, mais adubo e o clima está extremamente favorável, principalmente para a soja, diz ele.
Carros-chefes O aumento ocorre nos produtos que representam maior volume. O milho, que ocupou parte da área da soja no Sul e Sudeste, deve somar 35,2 milhões de toneladas na safra de verão e 6,12 milhões na de inverno. A alta será de 15% e 60%, respectivamente, em relação ao volume deste ano.
A soja perde 0,3% na área plantada, mas a safra será 7,6% maior do que a anterior. Deverá chegar a 35,2 milhões de toneladas, segundo Pessôa. O produto perde espaço no Sul e Sudeste, mas ganha no Norte e Nordeste, onde a produtividade é maior.
Arroz em queda A safra de arroz deverá recuar para 10,4 milhões de toneladas, com queda de 5,6% em relação à produção deste ano.
A produção brasileira de algodão em caroço poderá chegar a 2,3 milhões de toneladas na safra 2000/1, segundo o terceiro levantamento da Agroconsul. Se confirmados esses dados, o crescimento será de 22% em relação ao volume da safra anterior.
Exportações menores As receitas com as vendas externas dos produtos do agronegócio registraram média diária de US$ 62,1 milhões nas três primeiras semanas deste mês. Em dezembro do ano passado, a média era de US$ 69,7 milhões, segundo dados da Secex.
Já as importações no setor do agronegócio tiveram média diária de US$ 16,7 milhões neste mês, com alta de 11% em relação ao volume do mesmo mês de 99. Adubos lideram, atingindo US$ 6,9 milhões por dia útil, com alta de 30% no período.
Em baixa Os preços pagos aos produtores agrícolas do Estado de São Paulo recuaram 1% na segunda quadrissemana deste mês. Essa foi a primeira queda desde o início de julho, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola.
Nelson Batista Martin, responsável pela pesquisa, mostra que o milho foi uma das causas da retração dos preços médios no período. Apesar do período de entressafra, o produto teve queda de 24%.

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