Safra recorde evita alta de preços
Mônica Ciarelli
Agência Estado
A safra agrícola recorde esperada para este ano vai contribuir para segurar a alta dos preços prevista para o período de entressafra.
Com isso, não devem se repetir este ano, os aumentos causados pela escassez de grãos. Em 1998, o Brasil precisou importar produtos típicos do cardápio nacional, como feijão e arroz, em função da seca no Nordeste que afetou a colheita local. Além de contribuir para a alta da inflação, as importações também causaram estragos na balança comercial brasileira.
Para este ano, as previsões são bem mais otimistas. O chefe do Departamento de Agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Carlos Alberto Lauria, destacou ontem que a safra de quase todos os produtos afetados voltaram aos níveis tradicionais. O último levantamento do IBGE indica que a safra pode chegar a 82,6 milhões de toneladas, superando em 9,89% a do ano passado. A estimativa é de que a produção de arroz, que responde por 14% da safra brasileira, cresça 4,55% em relação ao ano passado.
Lauria explica que a produção do Mato Grosso do Sul surpreendeu os técnicos do IBGE, que não esperavam uma recomposição tão rápida da safra. O levantamento de junho indica um incremento de 23,42% na produção local, influenciada pelo clima favorável. Ele destaca, porém, que o crescimento da colheita não é o único fator que influencia o preço dos produtos agrícolas. Um aumento do preço do frete, como vem sendo proposto pelos caminhoneiros atualmente em greve, também teria impacto direto no valor das mercadorias.
O chefe do Departamento de Agropecuária do IBGE avalia que a preocupação agora é com a colheita de inverno. Lauria revela que o levantamento de julho já deve identificar uma queda na produção de milho segunda safra. Os Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás tiveram problemas climáticos, que causaram sérios danos à produção de milho.





