Safra recorde é arma contra inflação
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A safra agrícola vai contribuir mais uma vez para segurar a inflação em 2005, assim como ocorreu em 2004. A avaliação é do chefe da Coordenação de Agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Carlos Alberto Lauria. Ontem ele divulgou a previsão de um recorde de 134,9 milhões de toneladas para este ano, com crescimento de 13,29% ante os 119 milhões de toneladas do ano passado. A projeção é quase a mesma da anunciada no mês passado.
Em 2004, mesmo com a safra menor do que no ano anterior - o IBGE confirmou com os dados divulgados ontem a queda de 3,68% ante a safra 2003 -, os produtos alimentícios contribuíram para evitar uma alta maior no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano em 7,6%. O grupo de alimentos e bebidas, favorecido pelo câmbio e a safra, apresentou variação anual abaixo da média, de 3,9%, a menor entre os grupos pesquisados.
Como exemplo de contribuições positivas da safra para a inflação em 2005, Lauria citou o milho, cujo aumento na produção na primeira safra será de 4,6%, totalizando 32,5 milhões de toneladas, ou cerca de 35% da safra total prevista. Segundo ele, o produto é um importante insumo para alimentação de aves e suínos, o que poderá reduzir os custos e os preços dessas carnes.
Outro exemplo citado é o arroz, cuja produção prevista de 13 milhões de toneladas ficará acima do consumo brasileiro anual (em torno de 12 milhões de toneladas), contribuindo também para segurar os preços desse produto, que tem forte peso na inflação.
Soja - Além de segurar a inflação, a safra deverá contribuir para o crescimento das exportações. A soja, principal produto agrícola da pauta de exportações, terá uma safra recorde de 63,4 milhões de toneladas, 29% superior à de 2004, segundo a estimativa do IBGE. Lauria disse que o crescimento significativo deverá ocorrer apesar dos baixos preços do produto atualmente. Segundo ele, os demais grãos também estão com cotação baixa e a soja tem forte liquidez, com comercialização certa no mercado internacional.
No ano passado, a safra de soja atingiu 49,2 milhões de toneladas, com queda de 4,39%. O produto responde por cerca de 41% da safra brasileira e, neste ano, o maior incremento de produção deverá ocorrer na principal região produtora, o Centro-Oeste, cuja safra deverá crescer 28,4%.
Segundo Lauria, a safra abaixo das estimativas no ano passado foi resultado de problemas climáticos, especialmente a estiagem ocorrida no Sul do País. Ele alertou que o mesmo problema poderá afetar a safra 2005, já que após a pesquisa realizada na primeira quinzena de dezembro - e cujos resultados foram divulgados hoje - houve informações de fortes estiagens no Rio Grande do Sul, o que poderá puxar para baixo a estimativa. A próxima projeção, relativa a pesquisa realizada em janeiro, será apresentada pelo IBGE no dia 23 de fevereiro.


