Albari RosaDesafios da safraSalvo aponta desafios: falta de consumo interno e concorrência dos importados O setor agrícola nacional necessita de R$ 10 bilhões para que tenha condições de produzir acima de 80 milhões de toneladas e contribuir para diminuir o déficit da balança comercial brasileira. Essa reivindicação está sendo feita pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) no plano de safra 97/98, que deverá ser divulgado nos próximos dias. Para o presidente da entidade, Antonio Ernesto de Salvo, se o setor tiver volume de recursos suficiente para o plantio e forem atendidas as reivindicações para redução nas taxas de juros, poderá melhorar ainda mais sua participação na balança comercial.
Salvo esteve ontem em Curitiba participando da teleconferência promovida pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Sebrae e transmitida para todo o país via Embratel e pelo canal Rural (TV a cabo). O presidente da CNA falou sobre a situação da agropecuária que enfrenta um dilema entre a falta de renda do povo brasileiro e a concorrência desleal das importações, que considera criminosa. Isso porque os produtos que são descartados pelos países desenvolvidos por falta de condições de consumo são exportados para o Brasil pela metade do preço, o que acaba com a produção nacional, lamentou.
Sobre o plano de safra, Antonio de Salvo informou que o governo está propenso a liberar em torno de R$ 8 bilhões, o que é pouco para aumentar substancialmente a produção de grãos. Segundo ele, a redução no volume de recursos só agrava a situação da balança comercial brasileira, já que a Agricultura é o único setor em condições de responder com o aumento das exportações, diante da abertura escancarada do mercado brasileiro, promovida pelo governo federal.
No vermelho Salvo justificou que na safra passada, o governo liberou R$ 5,2 bilhões e o setor respondeu com o aumento nas exportações de grãos que geraram superávit de US$ 10 bilhões na balança comercial. Enquanto isso, o restante da economia gerou um déficit de US$ 15 bilhões. Os US$ 5 bilhões que estão no vermelho a Agricultura não conseguiu cobrir por falta de maior apoio, explicou.Ele advertiu no entanto o risco de o país continuar a exportar a matéria prima bruta, como aconteceu esse ano com o excesso de exportação de grãos.
Para Antonio de Salvo o plano de safra precisa contemplar as principais reivindicações do setor com a redução dos juros. A CNA defende a imposição de 6% de juros anuais nos financiamentos para os médios e grandes produtores e 3% para os pequenos produtores. Esta é a única alternativa para capitalizar o produtor para que ele não se torne dependente dos financiamentos bancários. Em casos de prejuízos com um produto como está acontecendo com o milho, o produtor fica inadimplente com o banco e depois não tem mais como levantar recursos para financiar o próximo plantio.
Segundo o presidente da CNA só o milho gerou prejuízos de quase R$ 2 bilhões aos produtores nessa safra, o que está promovendo uma enorme perda de renda nas regiões onde é cultivado, principalmente no Oeste de Santa Catarina e Paraná. Em relação aos demais produtos, eles foram lucrativos nessa safra.
Securitização.
O presidente da CNA confirmou que a entidade está negociando com o governo federal para renegociar os termos da securitização. Ele antecipou que os débitos poderão ser diferenciadas por setor, com base na capacidade de pagamento gerada pelas culturas. Isso porque a renda gerada pela soja, não foi a mesma gerada pela cultura de milho, que ao contrário deu prejuízo. A cafeicultura está proporcionando uma excelente renda para os produtores enquanto outros os setores sucro-alcooleiro do Nordeste estão em situação alarmante.
Salvo salientou que ninguém está pedindo para não pagar, mas os débitos devem ser postergados até o agricultor ter condições de pagar a securitização. Além disso, muitos débitos devem ser revistos diante da capacidade de cada setor. Ele entende que a analise setorizada para renegociar os débitos não enfraquece os produtores. Pelo contrário, ela até fortalece já que fica mais fácil para o governo atender as reivindicações em separado, com base no desempenho econômico.
O presidente da CNA criticou ainda abertura com o Mercosul, defendendo os estudos de reconversão agrícola que nunca foram feitos. Segundo ele, a integração está enfrentando dificuldades porque as economias dos quatro países Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil não são complementares e sim concorrentes, se for considerada a região Sul do país, por exemplo. Segundo de Salvo a reconversão deve reconduzir o produtor para uma atividade mais rentável, sem concorrência. Ele apontou a necessidade de rever o cultivo de frutas de clima temperado, raízes, legumes e tubérculos, que estão apresentando problemas de mercado.

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