O Paraná pode ter quebra de até 20% na sua produção de laranja, em relação à safra passada, quando foram produzidas de 6 milhões de caixas. A previsão é da Cooperativa Rolândia Ltda (Corol) em cima de uma área de aproximadamente 11 mil hectares que estão sendo cultivados este ano. Os principais fatores seriam a geada e as duas safras ocorridas no ano passado que causaram o desgaste natural das plantas.
Outro fator que está movimentando o mercado de cítricos, é o anúncio da quebra da safra do estado de São Paulo, o que elevou os preços pagos aos produtores nesta entressafra em relação ao mesmo período no ano passado. Segundo a FNP Consultoria, a estimativa é que safra paulista seja de 300 milhões de caixas, representando uma redução de 10% em relação ao ano passado. ‘‘Mas estamos prevendo que a quebra possa chegar a 20% em abril’’, disse o diretor da FNP e consultor da área de citricultura, Maurício Mendes. Atualmente, a indústria paulista de fabricação de sucos de laranja está pagando em média R$ 4,50/caixa (40,8Kg), e está temerosa com a possibilidade de faltar laranja no mercado. Em 2000, o melhor preço pago ao produtor foi de R$ 1,50/caixa. ‘‘A quebra de São Paulo vai favorecer o nosso mercado, pois haverá uma maior valorização do produto em nível mundial, principalmente do suco de laranja, que pode chegar a US$ 1,3 mil a tonelada’’, disse o presidente da Corol, Eliseu de Paula.
‘‘O nosso produtor vai ser bem remunerado tanto pelo mercado interno, que consome laranja de mesa, quanto pelo mercado industrial’’, observou o secretário-executivo da Associação dos Citricultores do Paraná (Acipar), Marcelo Favaron Alves.
Mas a indústria de cítricos no Paraná começa a prever problemas na produção. ‘‘Neste ano, com certeza, produziremos menos devido à falta de oferta do produto. Isso vai encarecer os custos da nossa produção e a estimativa é deixarmos de ganhar cerca de US$ 5 milhões’’, afirmou o superintendente da Paraná Citrus, Antonio Ailton Basso. A indústria produz suco de laranja concentrado e congelado na região de Paranavaí desde 1994.
A empresa já começou a realizar contratos com os produtores, garantindo um preço mínimo de US$ 1,36/caixa, com possibilidade de valor complementar, variável com o índice de comercialização do produto. Os contratos da safra 2000/2001, com fechamento em 30 de abril, tiveram complemento médio de US$ 0,50/caixa. No ano passado, a empresa produziu 15 mil toneladas de suco (95% desse total foi exportado para a Europa) e teve faturamento de aproximadamente US$ 15 milhões.

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