Safra pode sofrer impacto do crash
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sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Mariângela Herédia Agência Estado Brasília 
A decisão do Banco Central de elevar as taxas de juros para tentar conter a saída de dólares do País com a crise nas bolsas poderá atingir a agricultura brasileira em função do aumento do custo de produção, principalmente de insumos, e também com relação a uma parcela dos recursos do crédito rural que não tem taxas controladas pelo governo. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa, disse ontem que as taxas de juros governamentais para o crédito rural, prefixadas em 9,5% para médios e grandes produtores e 6,5% ao ano para os pequenos agricultores, não vão mudar. O que pode aumentar é a parcela de recursos livres, em que o Banco do Brasil já estava mesmo com dificuldades para emprestar, avaliou o secretário, acrescentando que, felizmente, o maior volume de crédito para a safra já foi liberado.
Do total de R$ 8,5 bilhões anunciado pelo governo para financiamento de custeio da safra agrícola 1997/98, R$ 2,7 bilhões são de recursos externos que estavam com taxas de variação cambial mais 13% ao ano. Os bancos devem elevar este adicional à variação cambial para no mínimo 18%, previu o chefe do Departamento Técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Donizeti Beraldo. Ele observa que apenas 55% dos recursos anunciados pelo governo para o custeio da safra tem taxas prefixadas. Embora a prefixação das taxas do crédito rural tenha sido um avanço conquistado há três anos, é preciso lembrar que uma parcela muito pequena da agricultura é financiada com recursos do governo, afirmou Donizeti, lembrando que os empréstimos oficiais representam apenas 30% do financiamento total do setor, que atinge R$ 33 bilhões.
Rosa disse que na próxima semana o Banco do Brasil deve liberar mais R$ 300 milhões para o custeio da safra, atingindo cerca de R$ 2,4 bilhões com recursos controlados desde julho. Os números ainda são preliminares, pois teremos este levantamento na quarta-feira, quando haverá reunião do grupo de coordenação de política agrícola, explicou. De qualquer forma, avalia o secretário, os maiores impactos com a elevação das taxas de juros pelo Banco Central deverão ocorrer nos gastos do Tesouro Nacional com a equalização (diferença entre o custo de captação no mercado e o de empréstimo) das taxas do crédito rural. Técnicos do Ministério da Agricultura avaliam que a medida poderá refletir na safra agrícola do ano que vem, reiterando que na atual a maior parte dos empréstimos já foi liberada, faltando principalmente o custeio de arroz.


