Safra pode ficar isenta do pedágio
Governador pensa em isentar setor agrícola da cobrança de pedágio até o final do ano
Vânia Casado
O governador Jaime Lerner ficou de solicitar às concessionárias a isenção da cobrança de pedágio para o transporte da safra agrícola, até o final do ano. Ele disse ontem que ficou sensibilizado com a proposta das entidades ligadas ao setor agropecuário, e vai lutar para vê-la atendida. Para o presidente da Faep, Ágide Meneguette, a isenção da tarifa até o final do ano representa um paliativo. Ele defende um desconto de 50% na cobrança do pedágio para o transporte da safra.
A Faep não está satisfeita com o resultado da reunião convocada pela Secretaria dos Transportes com os usuários das estradas. Segundo Meneguette as tarifas que estão sendo impostas vão tirar a competitividade do produto paranaense. Segundo estudos da Faep e Ocepar, a cobrança do pedágio vai reduzir a margem de ganho do setor agrícola em 3% a 4%. ‘‘Como se trata de produtos de baixo valor agregado, onde a rentabilidade não ultrapassa 7%, a redução dessa margem poderá inviabilizar a agricultura paranaense no futuro, acredita o presidente da Faep.
‘‘Além de sofrer a concorrência externa, os produtos do Paraná vão sofrer também a concorrência interna’’, alertou. Meneguette se referiu à produção agropecuária da região Centro-Oeste do país, que vai ganhar com a incidência de mais uma tarifa no transporte da safra paranaense até o Porto de Paranaguá.
Segundo Meneguette, o governo estadual não percebe que a soja paranaense está perdendo competitividade com a soja do Centro-Oeste. Só o Mato Grosso está produzindo esse ano 5 milhões de toneladas do grão, que será escoado pela hidrovia Araguaia-Tocantins, que tem ligação intermodal com a ferrovia de Carajás. A Ferrovia vai transportar a safra até o porto da Madeira, no Maranhão, que cobra tarifas 50% inferiores ao porto de Paranaguá.
Segundo a Faep, entre 65% a 70% do transporte de carga no Paraná refere-se a produtos agrícolas e ninguém da Secretaria dos Transportes ou das concessionários fez um estudo para saber se o setor pode pagar ou não o que eles estão oferecendo.

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