Safra pode chegar a 95 milhões de t
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quarta-feira, 18 de abril de 2001
Gecy Belmonte Agência Estado 
A safra de grãos deste ano poderá bater recorde histórico, chegando a pelo menos 95 milhões de toneladas, o que representaria 14,5% a mais que os 83 milhões de t de 1999/2000.
A confirmarção desse número dependerá dos resultados que forem obtidos com a colheita da segunda safra de milho (safrinha), que começa em junho, e do plantio do trigo, que se inicia em maio próximo, conforme dados divulgados ontem pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. O ministro foi apresentar os dados pessoalmente ao presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Alvorada.
O ministro explicou que a terceira estimativa de safra, que indica uma produção de grãos de 94,259 milhões de t, não incluiu uma avaliação realista desses dois cereais porque ambos são muitos suscetíveis a variações climáticas. Só teremos esses dados na penúltima estimativa, que será divulgada em junho. Mas, no caso do trigo, poderá haver uma oscilação importante, salientou. A estimativa de fevereiro apontava uma safra, também recorde, de 91,2 milhões de t.
Apesar desse quadro otimista, o ministro Pratini foi cauteloso quando perguntado sobre a possibilidade de que o Brasil venha a obter uma safra de 100 milhões de grãos proximamente. É cedo para falar, porque isso depende muito do mercado internacional. Temos certeza, no entanto, de que não vamos mais baixar do nível de 90 milhões, observou.
A terceira estimativa de safra foi projetada com base em pesquisa realizada pelos técnicos da Conab entre 2 e 6 deste mês, nas principais regiões produtoras do País. A área plantada está estimada em 38,108 milhões de hectares, com um aumento de apenas 0,9% sobre o ano passado. Isso evidencia, segundo Pratini, que as 94,259 milhões de toneladas projetadas, resultam de um aumento substancial de produtividade. A tecnologia chegou às lavouras, salientou.
A Conab repetiu a estimativa do ano passado, de 3,925 milhões de t para a segunda safra de milho, a chamada safrinha. Projeções feitas pelo mercado, no entanto, indicam que este volume deverá chegar a 4,5 milhões de t. Para o trigo, embora o plantio só comece em maio na região Sul, a Conab está calculando que, no mínimo, a safra poderá ser de 2,764 milhões de t.
A soja poderá alcançar a maior colheita de toda a sua história no País, com 35,972 milhões de toneladas, ou 11,2% a mais que o ano passado quando este volume foi de 32,344 milhões de t. Em segundo lugar, embora ainda faltem os dados da segunda safra, vem o milho, com uma estimativa de 38,492 milhões de t. Esse volume, além de devolver ao País a auto-sufiência no setor, permitirá que sejam exportadas cerca de três milhões de t do produto.
Pratini destacou também o bom desempenho do algodão, cuja safra deverá ser de 1,424 milhão de t. Desse total, 858 mil toneladas se referem ao produto em pluma. A colheita de arroz está avaliada em 10,905 milhões de t, enquanto a de feijão deverá ficar em 2,909 milhões de t.


