A safra de grãos deste ano poderá bater recorde histórico, chegando a pelo menos 95 milhões de toneladas, o que representaria 14,5% a mais que os 83 milhões de t de 1999/2000.
A confirmarção desse número dependerá dos resultados que forem obtidos com a colheita da segunda safra de milho (safrinha), que começa em junho, e do plantio do trigo, que se inicia em maio próximo, conforme dados divulgados ontem pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. O ministro foi apresentar os dados pessoalmente ao presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Alvorada.
O ministro explicou que a terceira estimativa de safra, que indica uma produção de grãos de 94,259 milhões de t, não incluiu uma avaliação realista desses dois cereais porque ambos são muitos suscetíveis a variações climáticas. ‘‘Só teremos esses dados na penúltima estimativa, que será divulgada em junho. Mas, no caso do trigo, poderá haver uma oscilação importante’’, salientou. A estimativa de fevereiro apontava uma safra, também recorde, de 91,2 milhões de t.
Apesar desse quadro otimista, o ministro Pratini foi cauteloso quando perguntado sobre a possibilidade de que o Brasil venha a obter uma safra de 100 milhões de grãos proximamente. ‘‘É cedo para falar, porque isso depende muito do mercado internacional. Temos certeza, no entanto, de que não vamos mais baixar do nível de 90 milhões’’, observou.
A terceira estimativa de safra foi projetada com base em pesquisa realizada pelos técnicos da Conab entre 2 e 6 deste mês, nas principais regiões produtoras do País. A área plantada está estimada em 38,108 milhões de hectares, com um aumento de apenas 0,9% sobre o ano passado. Isso evidencia, segundo Pratini, que as 94,259 milhões de toneladas projetadas, resultam de um aumento substancial de produtividade. ‘‘A tecnologia chegou às lavouras’’, salientou.
A Conab repetiu a estimativa do ano passado, de 3,925 milhões de t para a segunda safra de milho, a chamada safrinha. Projeções feitas pelo mercado, no entanto, indicam que este volume deverá chegar a 4,5 milhões de t. Para o trigo, embora o plantio só comece em maio na região Sul, a Conab está calculando que, no mínimo, a safra poderá ser de 2,764 milhões de t.
A soja poderá alcançar a maior colheita de toda a sua história no País, com 35,972 milhões de toneladas, ou 11,2% a mais que o ano passado quando este volume foi de 32,344 milhões de t. Em segundo lugar, embora ainda faltem os dados da segunda safra, vem o milho, com uma estimativa de 38,492 milhões de t. Esse volume, além de devolver ao País a auto-sufiência no setor, permitirá que sejam exportadas cerca de três milhões de t do produto.
Pratini destacou também o bom desempenho do algodão, cuja safra deverá ser de 1,424 milhão de t. Desse total, 858 mil toneladas se referem ao produto em pluma. A colheita de arroz está avaliada em 10,905 milhões de t, enquanto a de feijão deverá ficar em 2,909 milhões de t.

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