A safra de grãos deste ano pode chegar a 83,670 milhões de toneladas, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume é 1,33% maior do que o do ano passado e se confirmado vai significar um novo recorde da agricultura brasileira. Mas o diretor de Pesquisas do Departamento Agropecuário, Carlos Alberto Lauria, afirmou que o número foi parcialmente baseado em simulações de alguns produtos, e ainda não levou em conta os efeitos da estiagem na região Sul.
Ele avisou que a estimativa deve sofrer reformulações, como normalmente acontece. No ano passado, por exemplo, o IBGE previu, no início do ano, uma safra de 79 milhões de toneladas de grãos – e a produção foi maior, de 82,568 milhões. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de janeiro, feito pelo instituto, também não apontou redução na área plantada, em comparação com o ano passado, informou Lauria.
A estimativa do IBGE foi realizada com simulações para culturas de inverno (trigo, aveia, centeio e cevada) e a segunda e terceira safras do ano de alguns produtos, que ainda não permitem o cálculo do seu resultado. ‘‘Tivemos de replicar os resultados do ano passado’’, contou Lauria.
O LSPA destacou o aumento da produção do algodão herbáceo (12,09%), feijão em grão de primeira safra (3,17%), milho em grão de primeira safra (2,43%) e soja (2,71%). O arroz em casca deve ter redução de 5,06% na sua cultura, por causa da falta de estímulo para o plantio com os preços baixos do produto, informou o IBGE.
Para o economista Fábio Silveira, da consultoria Tendências, a estiagem na região Sul deve causar a redução na produção do milho. Ele lembrou que, de fevereiro do ano passado para este ano, o preço do produto, segundo a Bolsa de Cereais de São Paulo, aumentou 60% – o que não combina com a projeção de aumento. Para Oliveira, o lógico é esperar uma queda.
‘‘A estiagem ainda não bateu no levantamento do IBGE’’, afirmou o economista da Tendências. Ele avisou que a queda na oferta do cereal, um custo importante para o preço das carnes, pode representar um ‘‘pequeno foco’’ de pressão sobre a inflação no segundo semestre. A preocupação permaneceria, mesmo com a intenção de o governo de importar milho para estabilizar o mercado, alertou.