Safra paranaense vai render R$ 16,4 bilhões
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quarta-feira, 26 de maio de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A receita bruta da venda dos 35 principais produtos da safra paranaense deve render R$ 16,4 bilhões em 2003/2004. A quantia é 3,4% maior que a receita do ano anterior. O desempenho decorre, principalmente, do crescimento da receita obtida com a venda de soja (8,5%), de algodão (29,3%), de mandioca (24,6%) e do fumo (32,7%). Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Os ganhos só não serão maiores porque o clima desfavorável provocou quebra na produção. O Estado deve obter 26,4 milhões de toneladas de grãos nesta safra, volume 13% menor que o recorde de 30,5 milhões de toneladas alcançado no ano passado.
A cultura que acumulou mais prejuízos foi a soja, cuja produção de 9,99 milhões de toneladas é 16% menor que a da safra anterior. De acordo com o engenheiro agrônomo Norberto Ortigara, do Deral, a perda foi compensada pelo bom preço do produto, que deve garantir uma receita de R$ 7,43 bilhões, volume que supera em R$ 540 milhões o valor de 2002/2003.
O preço médio da mercadoria na atual safra, que já acumula 63% da produção comercializada, é de R$ 45,00 por saca. No ano anterior, o índice foi de R$ 38,00. A soja ocupou quase 4 milhões de ha em 2003/2004. A área corresponde a 42% de todo o território cultivado no Estado. Segundo Ortigara, as cotações favoráveis devem estimular crescimento de área no ano que vem.
Também por causa dos bons preços, a área cultivada com soja safrinha aumentou 104,8%, com cobertura de 59,66 mil ha. Outros fatores que estimularam a opção pela segunda safra da oleaginosa foram o atraso no plantio do milho safrinha - por causa da estiagem - e a desilusão dos produtores com o preço do feijão.
Ortigara informou que o milho safrinha ocupa 1,18 milhão de ha neste ano, com redução de 18,1% em relação à estimativa inicial. A expectativa é que o Estado produza 3,91 milhões de toneladas, volume 35% inferior ao obtido no ano passado. O Deral levantou que 33% das lavouras encontram-se em situação regular ou ruim. A primeira safra de milho rendeu 7,44 milhões de toneladas, redução de 11% com relação à safra anterior.
A dificuldade para plantar a segunda safra de milho provocou aumento de 8,8% na área de trigo em 2003/2004. Apesar de terem enfrentado dificuldades para comercializar o grão no ano passado, os produtores acabaram optando pela cultura por impossibilidade de plantar o milho na época certa. A expectativa é que o Estado produza 3,16 milhões de toneladas, crescimento de 1,4% em comparação ao ano passado. Ortigara comentou que o excesso de chuva tem atrasado o plantio da safra de inverno. Até agora, 66% da área foi semeada, ante o índice de 75% esperado para a época.


