Safra paranaense derruba cotações de feijão em SP
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sábado, 07 de novembro de 1998
ArquivoVarejo espera queda no preçoVânia Casado 
A entrada de feijão da safra das águas do Paraná provoca impacto no mercado nacional e a primeira consequência é a queda de preços. Na média, o preço do feijão pago ao produtor já caiu 8% no Estado, só nestes primeiros dias de novembro. Em algumas regiões onde a colheita está mais intensa, como Ivaiporã e Francisco Beltrão, a queda na cotação é de 24%, no mesmo período. Na média do Estado, a saca de feijão que estava sendo comercializada por R$ 51,70 no dia 29 de Outubro, caiu para R$ 47,47 ontem. Em Ivaiporã, a saca que era comercializada no final do mês passado por R$ 55,00, caiu para R$ 41,50 ontem.
Apesar de castigadas por causa das chuvas, as lavouras de feijão da região Sudoeste e da região Centro-Sul já começaram a ser colhidas. Até agora, 2,3% da área plantada no Estado (508.000 hectares) já foram colhidas, enquanto em outras áreas o plantio está sendo concluído. Cerca de 94% da área prevista para o feijão está plantada. O Paraná é o principal produtor da primeira safra, contribuindo com 40% da safra nacional. Com esta participação, o início da colheita já provocou impacto no mercado nacional, disse a técnica Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
Segundo ela, quem tinha estoque da terceira safra, produtores de Minas Gerais, Goiás e Bahia, já começou a desovar o produto, contribuindo com o aumento da oferta. A tendência é de que os preços recuem à medida que aumentar a quantidade ofertada, a partir do final de novembro. Demarchi disse que é difícil prever o comportamento dos preços, mas se as cotações seguirem o rítmo dos últimos cinco anos, o preço do feijão carioca ficou em R$ 34,00, em média, nesta época do ano, quando tradicionalmente eleva a oferta do produto no mercado.
Apesar da quebra de safra, provocada pelas chuvas, a técnica disse que o produtor não vai perder em relação ao custo, se o preço da saca de feijão ficar acima de R$ 30,00. Isto porque o custo médio está avaliado em R$ 22,00 a saca. Margorete lamentou o fato de que os produtores paranaenses são os mais penalizados com a queda nas cotações. Segundo Demarchi, eles não são beneficiados no período que ocorre a alta do produto, porque já estão com pouco estoque nas mãos. E quando colhem a produção, são os primeiros a sentirem os efeitos da derrubada de preços. Ela atribui esta situação, ao excesso de oferta em pouco tempo, entre os meses de novembro e janeiro.
Além disso, os produtores paranaenses são penalizados por outros fatores que influenciam a redução no consumo de feijão, o que agrava ainda mais a queda de preços. O período de concentração de oferta coincide com o verão e férias escolares, onde o consumo do produto é menor, justificou a técnica.
A expectativa de que o Paraná vai colher uma boa produção de feijão, apesar das chuvas, em torno de 430 mil t, não elimina a necessidade de o país voltar a importar o produto no ano que vem. Segundo Demarchi, o consumo nacional é de três milhões de toneladas e a produção nacional não atinge esse volume. Nos últimos 10 anos, o país está importando em torno de 151 mil toneladas de feijão, que corresponde a 5% do consumo nacional, para completar o abastecimetno interno.


