O aumento da oferta de feijão carioca no Centro-Oeste brasileiro derrubou o preço da mercadoria, que desvalorizou 21,43% e ontem foi cotada a R$ 110,00 por saca no Paraná. Na semana passada, a cotação atingiu R$ 140,00. De acordo com o analista de mercado Marcelo Luders, da Correpar Corretora de Mercadorias, a tendência é de baixa para os próximos dias.
Apesar do feijão do Centro-Oeste ainda não ser suficiente para atender à demanda, os compradores estão fechando poucos negócios. O objetivo, segundo Luders, é esperar a queda nos preços se concretizar para então voltar ao mercado. ''Assim eles conseguirão transferir a baixa ao consumidor final'', analisou.
No varejo, os preços praticados por supermercados pesquisados pela Folha indicam que o quilo de feijão subiu de R$ 1,99 para até R$ 2,98, desde o início de janeiro. A alta, crescente desde o ano passado, causou mais retração no consumo. ''Quem comprava dois quilos está levando apenas um. As pessoas estão reclamando muito do preço'', observou a operadora de caixa Dinalva Aparecida, que trabalha em um dos supermercados pesquisados.
Luders explicou que o pico nos preços das últimas semanas decorre da quebra na produção do Sul do País. Os números oficiais revelam que o prejuízo, na safra de águas, foi de 20%. ''O mercado, porém, trabalha com quebra de 40%'', afirmou o corretor.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) informou que a quebra na produção no Paraná foi de 15%. De acordo com Gilberto Bello, engenheiro agrônomo do órgão, o Estado deve produzir 419,8 mil toneladas. A estimativa inicial era obter 505 mil toneladas. O prejuízo foi causado por geada, seca e excesso de chuva em diferentes fases do processo produtivo. Noventa por cento da área paranaense já foi colhida.
Feijão de seca - Produtores parananeses já plantaram 48% das áreas de feijão de seca. A previsão é obter de 163 mil a 184 mil toneladas em 118.215 hectares. O volume de lavouras é 2,47% maior que a área ocupada pela mesma safra no ano passado.
Bello acredita que os bons preços pagos pelo produto devem estimular os produtores a investirem no feijão, superando a área estimada. Neudi Mosconi, de Cascavel, começa a plantar a nova safra nesta semana com um crescimento de 270% na área. Estimulado pelas perspectivas de mercado, ele cultivará 847 hectares. ''Vou plantar cedo para vender antes do pico da safra e conseguir melhor remuneração'', contou.
Com custo de produção em torno de R$ 45,00 por saca, ele espera vender a mercadoria por mais de R$ 100,00. ''Não acredito que o preço fique abaixo dos R$ 70,00'', disse.

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