Safra não alavanca venda de caminhões
Em algumas concessionárias, as vendas de caminhões pesados são 25% inferiores ao mesmo período de 97
Vânia Casado
Albari RosaFrete baratoQueda no preço do frete adia investimentos em melhorias da frota, segundo transportadoras A venda de caminhões pesados, que transportam a safra agrícola, está abaixo do previsto pelo mercado. Na Cotrasa, revendedora da Scania em Curitiba, as vendas estão 25% inferiores ao mesmo período do ano passado. Para o gerente de vendas, Marcelo Neves Marin, a safra deste ano é fraca e não está repetindo o movimento de anos anteriores, quando a soja saía do campo direto ao porto. ‘‘Agora a movimentação de cargas é regional, porque a produção sai do campo e fica armazenada em silos na região produtora’’, disse Marin.
Na Divesa, revendedora da Mercedes Benz, a projeção para esta safra era de um aumento de 15% nas vendas de caminhões pesados e extrapesados, que não ocorreu. Na Nórdica, concessionária da Volvo, a queda nas vendas foi de 50%. A concessionária de Curitiba tinha uma saída de 20 caminhões por mês, e hoje a média de vendas é de 10 unidades/mês. O gerente de vendas da Divesa, Edson Abelardino, disse que o auge da safra já passou e já não há mais esperança de reativar as vendas. ‘‘Só se houver uma queda significativa nas taxas de juros, que permite ao proprietário particular pagar o banco’’, ressalvou.
Um dos fatores apontados por Marin, da Cotrasa, é a falta de crédito para financiar as transportadoras e motoristas autônomos. Segundo ele, os bancos estão muito criteriosos para liberar o cadastro dos candidatos a financiamento e isso está retardando as vendas. Outro motivo, disse Marin, é o baixo preço do frete, que não está atraindo as empresas para renovarem suas frotas. Para o gerente da Nórdica Veículos, Carlos Roberto Bessler, o valor do frete não está sustentando o preço da prestação de veículos pesados. ‘‘Um caminhoneiro que, até 1995, ganhava entre R$ 12 mil e R$ 14 mil por mês, com um veículo novo, hoje não consegue tirar mais do que R$ 6 mil brutos por mês’’.
Bessler não espera ‘‘milagres’’ para este ano. Além do escoamento mais lento da safra, a produção agrícola e de madeira do Mato Grosso e Goiás, que normalmente é escoada para Paranaguá, também não teve pico de safra. Isso porque a agricultura no Centro-Oeste está mais organizada e atualmente já se encontram muitos silos e armazéns naquela região. ‘‘Antes, o agricultor pagava qualquer preço no frete para tirar a produção do campo e levar para o porto, com medo de perder a produção’’, lembrou o empresário. ‘‘Agora, com tecnologia, a produção do Centro-Oeste fica retida nos armazéns e é escoada aos poucos, eliminando o pico de safra, que elevava muito os preços do frete’’, acrescentou.
‘‘A falta de movimentação da safra agrícola revela que a economia do Estado está estagnada’’, avaliou o coronel PM Sérgio Malucelli, superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná. Conforme o Setcepar, o preço médio do frete está em R$ 22,00 a tonelada, quando a previsão para o pico de safra era elevar o preço para R$ 28,00 a tonelada. De Londrina a Paranaguá, o frete baixou de R$ 28,00 para R$ 18,00 a tonelada, disse o gerente da Nórdica caminhões, Carlos Roberto Bessler.
Os caminhões pesados transportam basicamente os grãos para exportação e madeira. ‘‘Este ano, com a comercialização mais lenta, não houve aquela procura por caminhões e os fretes baixaram, daí o pequeno interesse em investir na frota’’, avaliou Flávio Turra, técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Segundo Turra, somente 44% da safra de soja foi comercializada até agora, sendo que no ano passado, nessa mesma época, mais de 70% da safra já havia sido escoada.

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