Safra menor e excesso de caminhões derrubam o frete
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terça-feira, 02 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em pleno início da colheita da safra de grãos do Paraná, o preço do frete está caindo na região oeste do Estado contrariando as expectativas de alta no custo do transporte da safra. A justificativa é a quebra de 21% na produção de soja, que reduziu o volume de carga disponível na região. A situação atual é que há pouca carga e muito caminhão na região, informaram as transportadoras ouvidas pela Folha.
De acordo com o depoimento do caminhoneiro autônomo Luiz Carlos Orth, até terça-feira da semana passada o frete com carregamento de soja de Santa Terezinha do Itaipu, no oeste, até Paranaguá estava cotado a R$ 50 a tonelada. Na última sexta-feira, quando retornou à região, o frete caiu para R$ 45. ''Se continuar a pouca oferta de produto na região fala-se que o frete pode cair mais ainda, para R$ 42 a tonelada'', afirmou.
De acordo com o caminhoneiro, no ano passado nesta mesma época o preço do frete já estava cotado entre R$ 80 a R$ 90 a tonelada. ''Os transportadores que estavam esperando uma supersafra estão desapontados.'' As transportadoras confirmam a falta de cargas e como consequência a falta de reação nos preços dos fretes.
Segundo Evaldo dos Santos Souza, gerente da transportadora J.P.Transportes, de Curitiba, o volume de frete está muito escasso e não está sendo possível reajustar os preços dos fretes. Mesmo com o aumento do pedágio, não está dando para repassar mais esse aumento de custo. ''No setor de transportes o que vale mesmo é a lei da oferta e da procura e não a incidência dos custos'', resumiu.
Na Transportadora Transvale, de Cascavel, o quadro também é de poucos negócios. ''A quebra da safra na região foi maior do que a esperada e não tem carga'', disse um funcionário que preferiu não se identificar.
Com essa queda no volume de carga, a situação ficou ainda mais difícil para os caminhoneiros e transportadores que enfrentam simultaneamente a queda no preço do frete e o aumento do custo do pedágio nas rodovias do Anel de Integração. ''Infelizmente no Paraná, o repasse do custo do pedágio não é automático'', lamentou o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos, Diumar Bueno. Segundo ele, a categoria vem lutando pela fiscalização do vale-pedágio, precaução que ''preservaria o caminhoneiro desse custo que vem comprimindo o lucro da atividade''.
Para o superintendente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Paraná (Setcepar), Ricardo Mac Donald, quando começar o escoamento da safra de outras regiões do Estado a tendência do preço do frete é de alta, devendo reverter a situação atual. Segundo ele, há muito caminhão no País, uma frota avaliada em 1,3 milhão de veículos mas a maioria está sucateada com mais de 18 anos de uso. ''Assim que houver um pouco de crescimento econômico o País vai enfrentar é um apagão nos serviços de transporte'', avisou. ''Vai ter muita carga e não vai ter caminhão'', alertou.


