Safra favorável ao milho
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) divulgou ontem uma nota em que anunciava a redução das exportações de milho. O motivo foi a quebra na safra do grão no país, que deve se manter semelhante à do ano passado. Essa redução no maior país produtor e exportador de milho abre possibilidade de expansão das exportações brasileiras para atender o mercado mundial da commodity.
A estimativa para safra mundial do milho sofreu redução de 0,7% de agosto a setembro. De acordo com a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Margorete Demarchi, no mês, a previsão para a safra norte-americana diminuiu 10,59 milhões de toneladas. Em agosto, a estimativa era de uma produção de 328,03 milhões de toneladas, já em setembro, a previsão reduziu para 317,44 milhões de toneladas de milho. Em relação às exportações, a redução esperada é de 3 milhões de toneladas, passando de 45 milhões de toneladas para uma previsão 42 milhões de toneladas.
Segundo o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Curitiba, Eugenio Stefanelo, a produção brasileira e argentina de milho deve ser favorecida pelo cenário. ''O mercado está bom tanto para atender a demanda do mercado consumidor interno, quanto para as exportações'', afirma. Stefanelo revela que em 2012 o consumo interno de milho deve chegar a 50 milhões de toneladas, enquanto as exportações brasileiras do grão devem ultrapassar 10 milhões de toneladas.
''O estoque apertado dá segurança ao agricultor'', argumenta Stefanelo. O cenário de estoques reduzidos aumenta a facilidade de comercialização e a retabilidade da cultura, especialmente na primeira safra. ''Os produtores que optarem por aumentar a área de milho primeira safra terão mercado garantido e com preços altos'', avalia Stefanelo.
A agrônoma do Deral lembra que o primeiro levantamento de intenção de plantio para a safra 2011/12 aponta aumento de 15% na área cultivada com milho no Paraná. ''Estamos verificando uma retomada do plantio de milho no Estado. No ano passado, a área teve redução de 16% e foi a menor já registrada desde o início dos levantamentos do Deral, na década de 1970'', relata. Para a próxima safra, a estimativa do Deral é de que 882 mil hectares sejam cultivados com o grão, diante dos 786 mil hectares da safra anterior. Consequentemente, a produção deve sofrer um incremento de 13%, passando de 6,05 milhões de toneladas em 2010/11 para 6,86 milhões de toneladas na próxima safra.
Soja
A expansão do milho na safra de verão indica uma possível disputa com a soja no Paraná. Segundo Stefanelo, a previsão inicial é de redução de 1% na área plantada com a oleaginosa no Estado. No entanto, Margorete afirma que o indício é de uma leve redução. Na safra 2010/11, a área plantada com soja foi de 4,48 milhões de hectares e, para a safra 2011/12, a estimativa é de 4,44 milhões de hectares. ''Mas a soja ainda é a grande atividade da agricultura paranaense. No campo, ela tem mais facilidade agronômica que o milho e também possui liquidez a qualquer momento, algo que o milho ainda não possui'', lembra.


