Safra do PR já registra quebra de 11,5%
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de janeiro de 2012
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou ontem uma estimativa de quebra da safra de verão de 11,5% devido à estiagem. Mas o próprio Deral admite que o prejuízo pode se revelar maior no próximo levantamento a ser divulgado no final do mês. Produtores do Oeste do Paraná, entrevistados pela FOLHA na última terça-feira, apontaram perdas de até 60% das plantações.
''Tem lavoura 100% perdida'', admite o diretor Geral do Deral, Otmar Hubner. Ele ressalta que o mapa do Iapar (ver ao lado) mostra regiões com até 60 milímetros de deficit hídrico. A seca começou em meados de novembro passado e as chuvas isoladas nos últimos dias não ajudaram a resolver o problema.
Hubner diz que a Seab precisa ser ''moderada'' em seus números porque eles influenciam o mercado, fazendo os preços subirem ou descerem. Pela estimativa de ontem, o Estado já perdeu 2,55 milhões de toneladas de soja, milho e feijão, o que representa um prejuízo de R$ 1,52 bilhão.
A atual estimativa de colheita da soja é de 12,73 milhões de toneladas. Pelo levantamento anterior, ela seria de 14,15 milhões de toneladas. A quebra neste caso é de 10%. Já em relação ao milho, a previsão era que o Paraná colheria 7,4 milhões de toneladas, quantidade revista para 6,4 milhões (quebra de 14%). Já o feijão tinha previsão de colheita de 430.637 toneladas. E agora o Deral espera 348 mil toneladas, uma redução de 19% (ver quadro).
''Felizmente, a maior parte da nossa lavoura conta com plantio direto, sistema que deixa o grão mais resistente à estiagem'', declara Hubner. Ele diz, no entanto, que se não chover expressivamente nas próximas semanas a situação ficará muito mais grave.
O gerente Técnico e Econônico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, diz que, apesar de muitos produtores afirmarem ter perdido mais de 50% da safra, é difícil questionar os números do Deral. ''Eles fazem o levantamento no Estado inteiro, têm uma visão do conjunto'', alega.
Turra também ressalta que existem situações muito distintas no Estado com relação ao estresse hídrico. ''Mesmo dentro dessa faixa grande que passa pelo Norte, Noroeste, Oeste e Sudoeste, existem lavouras sobre as quais caíram chuvas isoladas'', justifica.
Para ele, a atual estiagem pode ser comparada com a da safra 2004/05, que também representou um grande prejuízo à agricultura paranaense. ''Os produtores que têm seguro terão de acioná-lo. E aqueles que utilizam crédito rural terão de renegociar seus financiamentos'', salienta.
O gerente lamentou ainda o fato de os preços dos grãos estarem em alta e os produtores não poderem se beneficiar deste bom momento.


