Londres O comportamento dos preços do café em 2003 vai depender, mais uma vez, dos passos do Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, afirmam analistas e traders do mercado internacional. O tamanho das futuras safras brasileiras e, principalmente, a continuidade ou não dos financiamentos oficiais para estocagem serão fundamentais na definição da oferta do produto nos mercados.
Segundo eles, é prematuro apostar nesse momento que a alta dos preços do café em 2002 será expandida ou totalmente preservada. Os preços do café registraram uma recuperação notável ao longo de 2002, após atingirem os seus níveis mais baixos das últimas três décadas em 2001. O grão tipo arábica fechou o ano passado com alta de 68% no mercado brasileiro. Já o preço médio do café tipo conillon para exportação (chamado de robusta no mercado externo) teve valorização de 189,44% em 2002. Isso apesar de o Brasil ter obtido na atual safra (2002/2003) uma produção recorde que, segundo o governo, somou 47,625 milhões de sacas e permitiu ao País aumentar as exportações em 21% (25,4 milhões de sacas de grãos verdes) em relação a 2001. Com isso, o Brasil recuperou em 2002 a sua fatia no mercado internacional, que ficou em torno de 30%.
Safra menor A elevação dos preços, que atingiu o seu pico em outubro, pode ser explicada por uma série de fatores. Segundo a analista da consultoria britânica Commodityexpert.com, Andrea Thompson, a expectativa de que a próxima safra brasileira (2003/2004) será bem menor segundo a mais recente estimativa oficial do governo ficará entre 27,725 milhões e 29,727 milhões de sacas -, aliada à queda da produção no Vietnã, que é o segundo maior produtor do mundo, e nos países da América Central, deixou os mercados ''um pouco mais apertados''.
A crise política em outro País produtor, Costa do Marfim, também vem ajudando a sustentar a alta dos preços. Mas será que esse fortalecimento dos preços será sustentável em 2003? Para o exportador e trader brasileiro baseado em Londres Ricardo Tristão, ainda é muito cedo para saber. ''O mercado trabalha com expectativas para o futuro e elas serão definidas mais para a metade deste ano'', disse Tristão. ''Mas, neste momento, eu não acredito que haverá grandes oscilações nos preços, nem para cima, nem para baixo no curto prazo.''
Tristão observa, no entanto, que apesar das estimativas oficiais a atual safra brasileira pode ter ficado em torno dos 52 milhões de sacas. ''Como o café tem um ciclo bianual, você corta 40% disso e ainda poderemos ter uma próxima safra de mais de 35 milhões de sacas'', disse. ''E como os preços subiram bastante no ano passado, tem muita gente plantando mais e a safra 2004/2005 pode até superar os 55 milhões de sacas. É muito café.''

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