Rio A safra brasileira poderá bater novo recorde em 2004 e ultrapassar 125 milhões de toneladas, segundo expectativa do Ministério da Agricultura. O principal incentivo para esse novo incremento (a safra 2003 deverá atingir 123,7 milhões de toneladas) será a concessão de R$ 32,5 bilhões em crédito agrícola, ainda neste ano, pelo governo, volume 26% superior ao do ano passado. As informações são do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin.
Simultaneamente às iniciativas para o crescimento da safra e aumento da produção dos alimentos básicos estão sendo deslocados R$ 5 bilhões para irrigação, armazenagem e pastagem o governo brasileiro continuará lutando contra os subsídios dos países desenvolvidos.
Segundo Wedekin, que fez palestra na 37 Expo Abras, evento supermercadista encerrado ontem no Riocentro, a notícia publicada anteontem no jornal norte-americano The New York Times, denunciando a devastação da Amazônia por causa do aumento da área de plantio da soja no Mato Grosso, é mais uma manifestação do protecionismo agrícola dos Estados Unidos.
Ele disse que o Mato Grosso é alvo de controle ambiental comandado por satélites e é preciso respeitar os regulamentos para o desmatamento da área. Após admitir que a notícia ''tem procedência por um lado'', o secretário ressaltou que ''há uma expansão da fronteira agrícola na região, mas isso não significa necessariamente uma agressão tão rigorosa ao meio ambiente. Esse (a publicação da matéria) é mais um aspecto da guerra comercial, já que em quatro ou cinco anos o Brasil será o maior produtor mundial de soja''.
Wedekin acrescentou que ''temos que defender a preservação dos recursos naturais, mas não podemos aceitar que a questão ambiental seja usada para aumentar as barreiras comerciais aos produtos agrícolas brasileiros''. Ele disse que as políticas ambientais são coordenadas pelo Ministério do Meio Ambiente e retrucou que ''os países desenvolvidos já destruíram as suas florestas''.
Segundo o secretário, o governo brasileiro ''vai continuar exigindo abertura de mercado e redução dos subsídios agrícolas dos países desenvolvidos'' nas negociações multilaterais. Ele afirmou que a expansão da agricultura brasileira no mercado internacional está assustando os países concorrentes. Como exemplo, citou o crescimento de 35% do saldo da balança comercial agrícola do País nos últimos 12 meses (de setembro do ano passado a agosto último). ''Estamos deslocando concorrentes e ganhando mercado'', disse.

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