Safra deve injetar R$ 56,5 bi na economia
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sábado, 15 de março de 2003
Márcia de Chiara<br>Agência Estado 
São Paulo - Os agricultores brasileiros comemoram nesta safra de grãos uma colheita recorde e a maior receita obtida de todos os tempos com a atividade. Estimativas de consultorias privadas apontam um volume de produção entre 108,5 milhões de toneladas e 115 milhões de toneladas. Levando-se em conta a projeção mais conservadora, entre arroz, feijão, milho, algodão, soja e trigo, o campo deve receber injeção de R$ 56,5 bilhões, quase 50% a mais do que a receita de 2002.
Se forem incluídas as lavouras perenes, como café, cana-de-açúcar, fumo e laranja, a renda da agricultura deverá saltar para R$ 98 bilhões, com crescimento de 40% ante o ano anterior. A projeção é da consultoria MB Associados, que considera os volumes de colheita calculados pelos institutos de pesquisas e os preços médios estimados pelo mercado.
Nenhum produto agrícola terá queda de receita este ano. A perspectiva é favorável tanto para as lavouras de consumo doméstico, como arroz, feijão e milho, como para aquelas essencialmente de exportação, soja e café, por exemplo, segundo avalia o economista da MB Associados, Fábio Silveira. Os produtos de consumo doméstico terão preços firmes pelo fato de a oferta estar ajustada à demanda, e as lavouras de exportação serão beneficiadas pelo câmbio.
O arroz, por exemplo, registrou aumento médio de preço de 17,5% no mercado interno em 2002 e a perspectiva é de subir mais 19,5% neste ano, segundo a consultoria. Para o milho e o feijão, a situação é semelhante. O preço médio do milho no mercado brasileiro aumentou 62,7% em 2002 e deverá subir mais 37,3% em 2003. No caso do feijão, o produto se valorizou em média 26,1% no ano passado e deverá aumentar 43% este ano.
A soja valorizou-se em dólar no mercado internacional 11,9% em 2002 e poderá subir mais 2% este ano. ''O preço doméstico deverá permanecer em patamar elevado, por causa do baixo nível de estoques e pela demanda aquecida por parte da indústria de carnes'', prevê Silveira. No caso do café, é esperada uma arrancada. Os preços internacionais, que recuaram 2,3% em dólar em 2002, deverão subir, em média, 49% em dólar neste ano. A retração da ordem de 30% na produção brasileira somada à queda na safra vietnamita devem garantir a recuperação dos preços.
Inflação - Enquanto o produtor comemora receita recorde, a maior safra da história do País não irá aliviar os índices de inflação como em anos anteriores. Silveira observa que, por causa do clima, do câmbio e dos próprios custos de produção e distribuição atrelados ao dólar, os preços agrícolas têm mostrado uma certa resistência neste início de safra.
De acordo com índice de preços agrícolas no atacado elaborado pela consultoria, que leva em conta 13 produtos, houve um ligeiro aumento médio 0,7% das cotações desses itens na primeira semana deste mês.
Também o Índice de Preços do Atacado para agricultura da FGV mostra que os preços desse segmento subiram 1,20% em fevereiro, num ritmo mais elevado do que o do mês anterior, quando a alta havia sido de 1,16%.


