Vânia Casado
De Curitiba
A comercialização da safra de verão poderá render quase R$ 4 bilhões aos produtores paranaenses. Só o milho e soja, que lideram a comercialização de grãos de verão, deverão contribuir com 84% do valor recebido pelos produtores. A alta nos preços desses produtos prevista para esse ano é responsável pela manutenção da receita, que repete o desempenho do ano passado, apesar da quebra de 6% na produção de grãos. Não fosse a forte estiagem que atrasou o plantio e prejudicou a safra de verão no segundo semestre do ano passado, o faturamento com a safra seria maior.
A estimativa de faturamento considerou a comercialização do milho (duas safras), soja, feijão (três safras), algodão, café, arroz e amendoim. A produção total deve atingir 16.485.050 toneladas, menor que a produção do ano passado que atingiu 17.472.800 toneladas. O levantamento é do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral).
A receita com o milho deverá ser 14% maior do que o ano passado, mesmo com a quebra de produção de 13% na primeira safra. A projeção feita pelo Deral leva em conta o bom desempenho da safrinha que está estimada em 3,25 milhões de toneladas. A safra total deverá atingir 8,5 milhões de toneladas, devendo gerar um faturamento de R$ 1 bilhão e 416 milhões. Ano passado, a produção foi maior, de 8,75 milhões de toneladas, mas o faturamento menor (R$ 1,237 bi).
O preço médio projetado para o milho no decorrer desse ano foi de R$ 175,00 a tonelada. Atualmente o produtor está recebendo em torno de R$ 10,70 a saca, um valor 27% maior que a média obtida no ano passado que foi de R$ 8,40 a saca.
A soja deverá gerar um faturamento de R$ 1 bilhão e 938 milhões, contra R$ 1 bilhão e 887 milhões faturados pelos produtores no ano passado. A exemplo do milho, apesar da produção menor o faturamento será maior (2,7%).
A comercialização do algodão também deverá registrar um aumento de 3% na receita obtida pelos produtores, apesar da produção ser 3% menor. Segundo o Deral, o faturamento avança de R$ 61,18 milhões que foi o rendimento total aos produtores em 99, para R$ 63,6 milhões esse ano.
Já os produtores de feijão estão sofrendo com a queda na renda. A produção das três safras será 12% menor, passando de 556 mil toneladas, ano passado, para 490 mil toneladas, esse ano. A receita também cai de R$ 354,7 milhões em 99, para R$ 196 milhões esse ano, uma redução de 45%. A saca de feijão que foi comercializada em média por R$ 36,00 no ano passado deverá atingir uma redução de 34% este ano. A engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo, não acredita em recuperação signficativa nos preços, porque está entrando no mercado a produção da segunda e terceira safra no Paraná e nas próximas semanas também iniciam a colheita de outros estados produtores.
A comercialização do café também deverá gerar uma queda de renda aos produtores. A receita cai 22% e a produção também será 10% menor (135 mil toneladas) em função dos ventos frios e estiagem, registrados no ano passado. A receita cai de R$ 361,6 milhões no ano passado para R$ 283,4 milhões esse ano.

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