Após resultados abaixo da expectativa com o trigo, produtores aguardam a chuva para o plantio das culturas de verão, sem perder a esperança
Após resultados abaixo da expectativa com o trigo, produtores aguardam a chuva para o plantio das culturas de verão, sem perder a esperança | Foto: Ricardo Chicarelli

Maior produtor de trigo do País, o Paraná começa a contabilizar as perdas na safra do grão. O clima não colaborou e até agora a queda na produção já chega a 18%. Em algumas regiões do Estado, a geada prejudicou o desenvolvimento da lavoura e em outras, foi a seca a algoz dos produtores. A previsão de colheita de 3,2 milhões de toneladas de trigo não deve se confirmar e já se fala em 2,7 milhões de toneladas, cem mil quilos a menos do que o volume colhido na safra anterior.

A grande preocupação é com a qualidade da safra. Em algumas áreas a produção se desenvolveu melhor do que em outras e a heterogeneidade do grão traz prejuízos à moagem. “Essa mistura prejudica muito o trigo, mais do que outras culturas. É difícil uma área que não tenha sido afetada. Municípios que plantaram mais cedo sofreram com a geada e quem não pegou a geada, foi afetado pela seca”, disse a técnica do Departamento Técnico Econômico do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ana Paula Kowalski.

“No momento, a pior perda computada nos 2,7 milhões de toneladas foi decorrente da geada na Região Oeste”, afirmou o analista do Deral (Departamento de Economia Rural) Hugo Godinho. A geada do dia 6 de julho ocorreu na fase de espigamento da planta. Em outras regiões do Estado, no entanto, a colheita pode ter um resultado mais satisfatório na produtividade. “A qualidade do que tem vindo até agora fora das áreas atingidas pela geada parece estar boa.”

A colheita começou na primeira semana de setembro e até agora, 44% da produção foram retirados dos campos paranaenses. Os números foram atualizados pelo Deral nesta terça-feira (17). Por enquanto, com uma oferta do grão abaixo do esperado e um produto de menor qualidade em algumas praças, o preço subiu. A média de preço da saca no Estado é de R$ 48,59, chegando a R$ 49,50 em algumas praças, com uma leve redução em áreas próximas a Curitiba e ao Porto de Paranaguá. “Os valores estão em um patamar relativamente baixo. Ainda está mais barato do que importar”, avaliou Godinho.

Neste mês, os produtores argentinos iniciam a colheita do trigo e no final do ano o grão cultivado no país vizinho entra forte no mercado brasileiro, tornando mais difícil a comercialização do produto nacional. “O patamar de preço no Brasil não está ruim, mas já está no limite para alguns produtores. Em setembro os argentinos colhem o grão e a tendência é pressionar o preço”, destacou o analista do Deral.

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