A safra de trigo que começou a ser plantada no início do mês no Paraná deve superar em 64% o volume colhido no ano passado. Maior produtor brasileiro, o Estado pretende produzir, em 2003, 2,6 milhões de toneladas do grão.
No ano anterior, quando seca, geadas e excesso de chuva na colheita resultaram em quebra de 34% na safra, triticultores paranaenses obtiveram 1,58 milhão de toneladas. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Até o início da semana, 1% das áreas havia sido semeada. A estimativa é que sejam cultivados 1,13 milhão de hectares (ha), número que supera em 5% os 1,076 milhão plantados no ano anterior. Para o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, o crescimento decorre do bom preço do trigo no mercado.
Enquanto em janeiro de 2002 a saca custava R$ 16,73, ontem a mercadoria valia R$ 31,00. Como o estoque mundial de trigo não é muito alto e a demanda continua aquecida, analistas apostam que o preço deve continuar atraente mesmo com a entrada da safra. ''A grande incógnita é qual vai ser o comportamento do dólar, que regula o preço no mercado interno'', opinou.
No Brasil, a Conab estima que a área de trigo cresça 13% na safra deste ano, atingindo 2,32 milhões de ha. A expectativa é que o País produza, nessas lavouras, 4,5 milhões de toneladas.
Segundo Roland Guth, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o aumento estava previsto no plano plurianual da triticultura nacional, que tem o objetivo de recuperar a cultura no Brasil. ''A intenção é produzir mais de 6 milhões de toneladas até 2007. Este valor será suficiente para suprir metade do consumo do ano'', disse.
Em 2003, diante da previsão da Conab de um consumo de 10,9 milhões de toneladas, a indústria brasileira terá que importar 6,5 milhões de toneladas de trigo. Para Guth, a diminuição da necessidade de importação é importante porque acarretará menor gasto de divisas. ''O dinheiro ficará circulando internamente'', analisou.
O protocolo de intenções firmado ano passado entre os elos da cadeia produtiva do trigo no Paraná - que tem a finalidade de estimular o plantio - também deve ser renovado este ano. A novidade, de acordo com Otmar, é que será expandido para os outros Estados. ''No documento, a indústria se compromete a dar preferência ao produto brasileiro'', explicou.
Zoneamento O Paraná está dividido em 10 zonas distintas para a cultura do trigo. Na zona A1, que abrange o Norte do Estado, o plantio é recomendado de 11 de março a 10 de maio. O divisão vai de A1 a I, sendo que nesta última área a semeadura pode ser feita até 31 de julho.
Como o trigo é uma cultura de risco, Otmar recomenda que o produtor siga o zoneamento climático para reduzir as chances de enfrentar geada. ''Também é essencial seguir as recomendações da assistência técnica'', enfatizou.

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