A concorrência com o trigo importado, comercializado com prazo de pagamento que já chegou a três anos, é o principal gargalo da cadeia produtiva do trigo no Brasil. A opinião é de Paulo Magno Rabelo, gerente de alimentos básicos da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), em Brasília. Ele participou ontem, em Londrina, do Fórum da Cadeia Produtiva do Trigo.
''No mercado interno, o comprador paga a vista'', comparou. Roland Guth, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Trigo (Abitrigo), garantiu que os moinhos nacionais estão dispostos a comprar a safra brasileira. ''Os mecanismos de comercialização oferecidos pelo governo igualam as condições internas às internacionais'', explicou.
Segundo Guth, o setor tem interesse em reduzir as exportações. ''Se a produção nacional se confirmar, o Brasil economizará US$ 200 milhões em divisas'', revelou. Esse ano, a estimativa é que o País produza 5 milhões de toneladas de trigo industrial para um consumo de quase 10 milhões de toneladas.
Em 2006, a meta é produzir para atender pelo menos 60% das necessidades. Para atingir esse patamar, porém, é preciso que haja aumento de área. Rabelo, da Conab, explicou que o principal impedimento para o crescimento da safra é a concorrência com o milho safrinha como opção de cultura de inverno. ''A partir do momento em que os preços do trigo forem mais remuneradores, a área nacional vai crescer'', disse.
Seisuke Ito, gerente regional da Cooperativa Integrada, não acredita que os produtores deixem de plantar milho no inverno. ''A safrinha tem os mesmos riscos, mas exige menos investimentos que o trigo'', comentou. Como a produtividade do milho, este ano, foi boa, o produto vai remunerar melhor. ''Mas quem gosta de trigo vai continuar plantando trigo'', ponderou.
O governo deve apresentar uma novidade para a comercialização da safra de trigo que começou a ser colhida. A Conab está estudando oferecer aos compradores a Linha Especial de Crédito (LEC), uma linha de financiamento parecida com o Empréstimo do Governo Federal (EGF).
A diferença é que o EGF financia a estocagem e o LEC é destinado à comercialização. Segundo José Maria dos Anjos, diretor do departamento de abastecimento agropecuário da Secretaria de Política Agrícola do Ministério de Agricultura e Abastecimento (Mapa) a nova linha tem a vantagem de ser menos burocrática que o EGF.
Para este ano, o governo continua oferecendo as linhas de crédito tradicionais para financiar a comercialização, como a Nota Promissória Rural (NPR), A Aquisição do Governo Federal (AGF), o Programa de Escoamento de Produtos (PEP), os contratos de opção e o próprio EGF.''A intenção é garantir liquidez ao produto e diluir as vendas ao longo do ano, para evitar quedas bruscas nos preços'', afirmou Anjos.

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