O agricultor Antônio Pedrini, de 56 anos de idade, há 26 plantando soja na região de Maringá, no Norte do Paraná, está desanimado com o desempenho desta safra. ''Este será o pior ano desde que comecei a plantar soja.'' Quando ele decidiu semear 1,6 mil hectares, em outubro de 2004, a saca de 60 quilos do produto estava cotada a R$ 33 e, agora, caiu para R$ 29. No ano passado, na mesma época, a soja chegou a R$ 44 a saca.
Uma queda de 34% do preço em real pesa no bolso de quem planta o grão. Pedrini argumenta que os custos dos insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, tiveram um aumento de 19% de uma safra para outra. Esses itens têm as suas cotações influenciadas por derivados de petróleo, cujos preços explodiram no ano passado.
Resultado: o valor dos insumos subiu e o grão despencou a partir de maio, com o embargo chinês ao produto brasileiro. Daí vieram a divulgação de expectativas de safras maiores dos Estados Unidos, Argentina e, finalmente, do Brasil.
Diante desse descompasso, Pedrini diz que saída para esta safra será vender o produto ao longo do ano, conforme a necessidade, para quitar compromissos. Além disso, ele pretende cortar pela metade a área de 1,6 mil hectares que iria plantar milho de inverno. (M.C.)

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