Os Estados Unidos vão produzir menos soja que o volume esperado pelo mercado. De acordo com Nagib Abudi Filho, diretor da corretora Investidor Global, de Londrina, o relatório divulgado ontem pelo departamento de agricultura americano (USDA) revela que o país deve produzir 67,16 milhões de toneladas neste ano. A previsão inicial era uma colheita de 80,1 milhões de toneladas. No mês passado, o número já tinha caído para 71,9 milhões. A quebra resulta de problemas climáticos.
A informação elevou o preço do produto. Ontem, a bolsa de Chicago começou o dia com 37 pontos de alta. No mercado interno, o analista informou que a saca de soja deve ter subido de R$ 42,50 para R$ 44,00. No mercado futuro, o produto passou de US$ 12,50 para US$ 13,00 por saca.
Ele não confirmou o valor do mercado físico porque, diante da movimentação, o mercado ficou travado durante todo o dia. ''Os compradores saíram do mercado por acharem que o preço estava alto. Os vendedores recuaram, a espera de novas valorizações'', explicou. A acomodação do preço deve acontecer no início da próxima semana.
Nagib acredita que a nova conjuntura influenciará a safra brasileira de grãos. Segundo ele, a previsão de 7% de aumento na área ocupada pela cultura deve aumentar. ''Quem está indeciso entre soja, feijão ou milho, vai ficar com a soja'', afirmou, justificando que os preços atuais da oleaginosa garantem duas vezes mais lucro que o milho. No novo relatório do USDA, a estimativa de safra brasileira aumentou de 56 milhões para 60 milhões de toneladas.
O engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Econommia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), concorda que o aumento de área, no Brasil, pode ser maior que o previsto. ''Mas ainda tem tempo para essa situação se confirmar.''
A preocupação do setor é que a redução exagerada na área de milho traga dsabastecimento, a exemplo do que aconteceu no ano passado. Por causa dos altos preços influenciados pela baixa oferta, suinocultores e avicultores enfrentaram crise em suas atividades. Os dois setores respondem por 80% do consumo do cereal.
No Paraná, a previsão é que 3,86 milhões de ha sejam cultivados com soja, com crescimento de 6,6% em relação ao ano anterior. Para o técnico, no Estado o aumento não deve ser muito maior que o calculado na primeira estimativa do Deral. ''Os produtores tradicionais de milho não devem mudar de cultura'', disse. No Brasil, a limitação para o crescimento da área é a oferta de cultivares. ''Os agricultores devem plantar toda semente disponível.''

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