Rio - O País deve registrar nova safra recorde de soja em 2015, mas poderia ser ainda maior, não fossem os prejuízos causados pela estiagem. A produção nacional da oleaginosa deve totalizar 95,517 milhões de toneladas este ano, um aumento de 10,5% em relação a 2014, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de janeiro, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"A safra maior de soja é justificada pelo aumento de área. A soja ocupou área de milho de primeira safra, de algodão, de arroz", lembrou Mauro Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE.
No entanto, houve redução de 0,8% na comparação com a estimativa anterior, feita no terceiro Prognóstico para a Safra Agrícola. Segundo o IBGE, a estiagem atrasou o plantio em algumas regiões, o que prejudicou também a entrada do milho de segunda safra nas áreas que recebem a soja primeiro.
"O plantio de soja deveria ter começado entre final de setembro e outubro, mas plantaram em novembro", explicou Andreazzi. "Houve uma área importante de Mato Grosso que atrasou o plantio, então isso está diminuindo a área do milho de segunda safra. E também há uma questão econômica, o preço do milho não está muito atrativo, está abaixo do custo de produção. Muito produtor está receoso se vai plantar o cereal ou não".
O forte calor e o atraso nas chuvas prejudicou ainda a qualidade do milho já plantado na primeira safra. "A planta de milho está com tamanho normal, mas quando abre a espiga não tem grão nenhum. Não vai ter semente. Faltou água no momento da floração mesmo", contou o pesquisador do IBGE.
O instituto espera uma produção de 31,761 milhões de toneladas para o milho de primeira safra, alta de 0,8% em relação à estimativa anterior, graças a uma recuperação no rendimento médio. Entretanto, a segunda safra do produto deve totalizar 44,727 milhões de toneladas, queda de 2% causada pela redução na área plantada e prejuízos no rendimento decorrentes da falta de chuvas.

Colheita

O País deve colher 57,2 milhões de hectares na safra de 2015, um crescimento de 1,6% em relação à área colhida em 2014, quando totalizou 56,3 milhões de hectares, segundo o IBGE. Arroz, milho e soja - os três principais produtos - representaram 91,6% da estimativa da produção agrícola em 2015 e 85,4% da área a ser colhida. A área de soja aumentou 3,5% em relação ao ano passado, enquanto a área de arroz registrou redução de 1,3% e a de milho recuou 0,3%. Em relação à produção, o levantamento prevê aumento de 3,3% na safra de arroz, alta de 10,5% para a soja, mas redução de 2,9% para o milho.
A safra agrícola de 2015 será maior para 12 dos 26 principais produtos que integram o levantamento do IBGE. As culturas que apresentarão aumento na produção são: amendoim em casca 1ª safra (18,8%), arroz em casca (3,3%), aveia em grão (23,6%), batata-inglesa 1ª safra (1,2%), café em grão - arábica (0,8%), cevada em grão (23,1%), feijão em grão 1ª safra (15,2%), mamona em baga (141,0%), mandioca (3,9%), milho em grão 1ª safra (3,8%), soja em grão (10,5%) e trigo em grão (20,4%).
Os 14 produtos com expectativa de queda na safra em relação a 2014 foram: algodão herbáceo em caroço (7,3%), amendoim em casca 2ª safra (11,2%), batata-inglesa 2ª safra (7,6%), batata-inglesa 3ª safra (19,4%), cacau em amêndoa (16,7%), café em grão - canephora (11,3%), cana-de-açúcar (1,4%), cebola (8,2%), feijão em grão 2ª safra (0,9%), feijão em grão 3ª safra (3,6%), laranja (1,1%), milho em grão 2ª safra (7,1%), sorgo em grão (7,4%) e triticale em grão (10,5%).
As maiores perdas em volume serão registradas na cana-de-açúcar (-9.542.697 de toneladas) e no milho (-2.267.458 de toneladas).

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