Os altos preços e a facilidade de comercialização do milho estimularam produtores paranaenses a optar pela cultura no inverno, em substituição ao trigo. Mas a concretização dos elevados riscos climáticos do grão trouxe prejuízos altos ao bolso do agricultor. As geadas que atingiram o Paraná nos os dias 27 e 28 de junho causaram quebra de 34,6% na produção de milho segunda safra.
O impacto foi maior nas regiões Oeste e Norte do Estado e prejudicou também as lavouras de trigo, com quebra de 8,7% na produção esperada. O levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado ontem, revelou que a expectativa inicial para a produção de milho safrinha caiu de 8,12 milhões de toneladas para 5,31 milhões de toneladas, uma redução 2,81 milhões de toneladas do grão. Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, essa quebra representa um prejuízo aos produtores de aproximadamente R$ 1,11 bilhão.
''As chuvas ocorridas na semana passada, logo após as geadas, aumentaram ainda mais os prejuízos e ampliaram as perdas nas lavouras'', esclarece Garrido. Antes mesmo das geadas, o milho segunda safra já estava prejudicado pela estiagem registrada no fim de abril e início de maio. Segundo Garrido, 70% das lavouras de milho safrinha estão em fase de floração e frutificação, mais suscetível às adversidades climáticas. Desse total, as geadas atingiram uma área de 1,73 milhão de hectares.
Garrido revela que o último prejuízo causado por geada na cultura do milho safrinha ocorreu na safra 2007/2008, quando houve quebra de 15,1% na produção. O recorde de perdas, no entanto, foi registrado na safra 1999/00, com redução de 60% da safra.
Trigo
O economista do Deral explica que as perdas no trigo foram menores porque as áreas produtoras do Sul e Centro-Sul do Estado - que concentram 57% do total produzido no Paraná - estão em fase menos adiantada e, consequentemente, não sofreram os reflexos das geadas. As lavouras paranaenses de trigo sofreram quebra de 8,7% em função das geadas. A expectativa inicial era de colher 2,86 milhões de toneladas, mas foi reduzida para 2,61 milhões de toneladas, uma queda 250 mil toneladas de grão. Segundo Garrido, isso deve acarretar em os prejuízos de R$ 111 milhões aos agricultores.
Segundo levantamento do Deral, cerca de 40% das lavouras de trigo encontravam-se em fase de floração e frutificação no momento das geadas da semana passada. ''A última vez que houve quebra na produção de trigo em função de geada foi na safra 2003/04, com redução de 8%'', relata Garrido. Ele lembra também que o recorde de quebra foi registrado na safra 1999/00, com prejuízo de 65% na produção de trigo.
As intempéries devem causar aumento no volume importado de trigo para atender a demanda do Estado. ''Apesar do dólar estar em baixa, o aumento da importação, somado à falta de produto no mercado interno, pode ter reflexo nos preços ao consumidor de trigo'', argumenta Garrido.
Segundo o economista da Faep, Pedro Loyola, a maioria dos agricultores está inserida no Proagro e possui cobertura nesse caso. Ele orienta aqueles que não contrataram seguro a renegociar a dívida com o banco amparados pelo Manual do Crédito Rural.

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