Safra de milho será menor dos últimos 5 anos
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quarta-feira, 18 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Somando as duas safras de milho a normal e safrinha o Paraná irá colher o menor volume do produto dos últimos cinco anos. A previsão é que em 2005 sejam colhidos 8,8 milhões de toneladas do grão, sendo 6,5 milhões de toneladas da safra normal e 2,3 milhões de toneladas da safrinha. O Paraná é o primeiro produtor de milho do País e nos últimos anos vinha colhendo acima de 10 milhões de toneladas entre a produção das duas safras desde 2000.
Essa é a situação mais crítica da cultura, disse ontem Flávio Turra, analista econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Segundo ele, a safrinha era a esperança dos produtores para compensar a produção da safra normal, que já foi baixa. No entanto, o plantio do milho da segunda safra já foi prejudicado pela continuidade da falta de chuvas e, recentemente, as lavouras das regiões Norte e Noroeste do Estado continuam sofrendo por falta de umidade. Já as lavouras de milho safrinha do Oeste e Centro-Oeste se recuperaram, afirmou.
O quadro da situação das lavouras divulgado ontem pelo Departamento Econômico Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), demonstra que os produtores estão retendo os produtos da safra 2004/05 que sofrem a influência do mercado externo. As colheitas de soja e algodão se encerram nos próximos dias e mais da metade dessas culturas ainda não foram vendidas por falta de preço.
Segundo o coordenador do setor de Previsão de Safras, Dirlei Antonio Manfio, no mesmo período do ano passado, 57% da soja colhida já havia sido comercializada, enquanto este ano foi vendida apenas 34% da safra. Os produtores estão descontentes com a queda de 43% no preço da comoditie. A soja está sendo comercializada por R$ 28,00 a saca, enquanto no ano passado valia R$ 49,00 a saca.
O volume de milho comercializado caiu 20%. No ano passado foi vendido 41% da produção e este ano, foi vendido 32% da safra. O preço apresenta uma queda de 16%. No ano passado nessa época o milho era comercializado por R$ 19,02 a saca e este ano, o preço atual está acomodado em R$ 16,01 a saca.
A comercialização do algodão também decepcionou. Até ontem foram vendidos 41% da safra, enquanto no mesmo período do ano passado foram comercializados 87% da safra. Houve uma queda de 27% do preço do produto. No ano passado o algodão foi vendido por R$ 18,00 a arroba e este ano está sendo comercializado por R$ 13,00 a arroba.
Por outro lado, as culturas típicas de mercado interno como feijão e batata estão em alta. A comercialização desses produtos reflete os efeitos da estiagem que são repassados ao mercado. O feijão teve um aumento de 34%. No ano passado, a saca era comercializada a R$ 59,00 e atualmente está sendo vendida por R$ 79,00. A batata teve um aumento de 168%. O produto foi vendido a R$ 27,00 a saca no ano passado e este ano está sendo comercializada por R$ 73,00.


