Curitiba - A safra de grãos 2005/2006 do Paraná teve uma quebra de 17,7% em função de estiagem que tem castigado a agricultura. De acordo com levantamento divulgado ontem pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), a estimativa inicial era colher 28,093 milhões de toneladas. Agora, o volume previsto caiu para 23,81 milhões de toneladas.
Mesmo com a falta de chuvas, o Estado ainda terá uma produção 6% maior do que o ano passado, quando o volume produzido foi de 22,45 milhões de toneladas. A área total plantada nesta safra é de 8,32 milhões de hectares e, portanto, um pouco menor que no ano anterior que foi de 8,53 milhões de hectares.
Entre as culturas mais prejudicadas com a falta de chuvas estão a soja e o milho. O Paraná deve deixar de faturar R$ 1,57 bilhão frente à expectativa de colheita frustrada, segundo levantamento de março do Deral. A chefe da Divisão de Estatísticas Básicas do Deral, Gilka Cardoso Andretta, disse que foram calculados mais R$ 290 milhões em perdas na agricultura. As perdas financeiras estão concentradas na soja, milho, trigo e feijão.
Na soja a quebra na produção foi de 21%. Com isso, a estimativa inicial de 11,76 milhões de toneladas caiu para 9,29 milhões de toneladas, ou seja, deixa de ser produzido um total de 2,47 milhões de toneladas. A área plantada é de 3,89 milhões de hectares e 5,7% menor do que no ano anterior. O chefe do Deral, Otmar Hubner, acredita que a redução de área ocorreu por questões de mercado como o baixo preço do produto.
No milho de 1 safra, a quebra de produção foi de 16,6% com queda de 9,41 milhões de toneladas para 7,85 milhões de toneladas ou uma redução de 1,56 milhões de toneladas. A área plantada é de 1,48 milhão de hectares.
Para o milho 2 safra, a quebra por conta da estiagem foi de 13,2% passando da estimativa inicial de 3,46 milhões de toneladas para 3 milhões de toneladas. A área plantada teve um aumento de 30,4% e, neste ano, é de 945 mil hectares.
No trigo, a quebra foi de 19,8% o que significa uma redução de produção de 2,23 milhões de toneladas para 1,79 milhões de toneladas. A área plantada teve redução de 29,7% e passou de 1,28 milhões de hectares para 898 mil hectares. Hubner acredita que a área diminuiu por questões de mercado como falta de liquidez, preço baixo e descapitalização do produtor.
No algodão a quebra foi de 20,7% (34.790 toneladas para 27.600 toneladas), no feijão 1 safra de 19% (548.400 toneladas para 444.440 toneladas), no feijão 2 safra de 10,8% (de 335.950 toneladas para 299.730 toneladas), no feijão 3 safra de 25,8% (de 12.930 toneladas para 9.600 toneladas) e no arroz de 18,4% (de 82.300 toneladas para 67.190 toneladas).
De acordo com Hubner, o clima é que vai determinar se vão acontecer novas quebras de produção. Na soja, as regiões mais afetadas foram Sudoeste (com quebra de produção de 33,6%), o Oeste (-31,3%) e o Norte (-20,6%). No milho primeira safra, as maiores quebras ocorreram no Sudoeste (-50,6%) e no Oeste (-21,5%). No milho 2 safra, a quebra maior foi no Norte (-32,4%). No feijão 2 safra, a maior quebra foi no Sul (-15,9%) e no trigo as maiores quebras foram no Norte (-28,8%), no Oeste (-27,3%) e no Sul (-18,7%).

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