Imagem ilustrativa da imagem Safra de grãos deve ser recorde no Paraná em 2017
| Foto: Ricardo Chicarelli
Milho vem ganhando espaço na área a ser cultivada em relação à soja pela vantagem comparativa de preços atraentes aos produtores neste momento



A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) divulgou ontem a primeira estimativa para a safra paranaense de grãos de verão 2016/17, que começa a ser plantada em setembro. A pesquisa realizada pelo Departamento de Economia Rural (Deral) indica que a produção paranaense de grãos de verão poderá alcançar 23 milhões de toneladas, dependendo da normalidade do clima entre a primavera deste ano, com a semeadura das lavouras de arroz, soja, feijão e milho da primeira safra, e o verão de 2017, quando o ciclo se completa com os trabalhos de colheita.
Caso seja confirmado, esse volume de produção será 14% superior ao obtido na safra de verão 2015/16, quando foram colhidas 20,2 milhões de toneladas. O volume estimado de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas a mais está baseado na expectativa de aumento da produtividade, que pode ocorrer se não houver fenômenos climáticos severos, como ocorreu na safra 2015/16, com excesso de chuvas na primavera e no verão devido ao fenômeno El Niño, que prejudicou fortemente as culturas de feijão, milho e soja.
Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, a expectativa é boa e a nova safra deverá ser plantada sob a influência do fenômeno La Niña. "Em função disso, esperamos que o clima seja mais regular durante o plantio, desenvolvimento e maturação das culturas", analisa.
Para o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni, os sucessivos eventos climáticos ocorridos entre a primavera de 2015 e o inverno de 2016 - como excesso de chuvas, seca e frio intenso - foram os principais desafios dos produtores paranaenses na safra 2015/16. "Por outro lado, há que se ressaltar ainda que com uma produtividade menor, as margens de rentabilidade se estreitaram com a queda de preços das commodities. Essa conjunção de fatores foi amenizada pela venda antecipada da safra desde o final de 2015 e o câmbio favorável entre dezembro de 2015 até maio de 2016", avalia.
De acordo com ele, agora as atenções se voltam para o clima e para o desempenho da safra norte-americana, que até aqui está indo bem. "Isso poderá influenciar no ritmo de comercialização e no processo de vendas antecipadas das principais commodities, como milho e soja, que estamos iniciando" acrescenta Simioni.

ÁREA
A área total a ser cultivada no Estado é muito semelhante a da temporada passada, já que o Paraná está com sua fronteira agrícola esgotada. Assim, estima-se que serão semeados 5,9 milhões de hectares - cerca de 1% a mais do que na safra anterior.
Simioni explica que verifica-se uma redução tímida da área de soja, que perde espaço para o milho em detrimento da vantagem comparativa de preços atraentes neste momento aos produtores. As demais culturas, como arroz irrigado e feijão primeira safra, também terão pequenos aumentos de área plantada.
O diretor do Deral avalia que com um sistema de produção desenvolvido com alta tecnologia, os produtores paranaenses buscam maior eficiência e mais qualidade, considerando a concorrência crescente entre os principais países produtores mundiais de grãos. "Ressalta-se ainda que a demanda mundial por grãos está aquecida, com tendência de preços em declínio, devido à concentração de compra concentrada pelos países asiáticos, com destaque a China."

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