Brasília - A safra nacional de grãos 2004/2005 será de 112,4 milhões de toneladas. A estimativa foi divulgada ontem pelo presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Jacinto Ferreira. De acordo com Ferreira, esse resultado significa uma queda de 14,8% da produção, quando comparado à pesquisa realizada em dezembro do ano passado, que projetava uma safra de 131,9 milhões de toneladas, e corresponde a um quebra de 19,6 milhões de toneladas, algo em torno de R$ 9,3 bilhões de prejuízo para o setor.
''Tal quebra de safra deveu-se, principalmente, à estiagem que atingiu os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul nos primeiros meses deste ano'', explicou. Já em comparação com a safra 2003/2004, que chegou a 119,1 milhões de toneladas, a queda chega a 5,7% (6,7 milhões de toneladas de grãos).
Segundo a pesquisa da Conab, a soja é foi mais prejudicada. Enquanto em dezembro de 2004 foram colhidas 61,4 milhões de toneladas, este ano a estimativa é de que apenas 50,2 milhões de toneladas sejam colhidas, o que corresponde a uma redução de 18,1% ou 11,2 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul foi o estado que mais teve impacto negativo com a seca com a queda de 74,9% da safra de soja, o que corresponde a 6,9 milhões de toneladas.
A produção do milho vem em segundo lugar no quadro de lavouras mais prejudicadas, com uma perda nacional de 19,4%, ou 8,4 milhões de toneladas, sendo a maior quebra registrada também no Rio Grande do Sul (67,7% ou 3,3 milhões de toneladas). Segundo dados da Conab, a produção agora está estimada em 34,8 milhões de toneladas. Por outro lado, conforme registro da Conab, entre as culturas de verão pesquisadas, o arroz é o que melhor apresenta resultado positivo, passando de 12,6 milhões de toneladas previstas na pesquisa de dezembro para 13,3 milhões de toneladas, um acréscimo de 5,2%.
De acordo com Ferreira, a consequência da perda de produtividade na safra 2004/2005 e o prejuízo financeiro registrado é que, em termos de expectativa, ''gerou-se uma espécie de perda de receita''. Para ele, essa situação adversa está sendo em parte compensada pelo anúncio do governo da prorrogação do custeio e dos recursos para transformação da dívida com a indústria de fertilizante junto ao BNDES em investimento, com desconto de 5% pelas indústrias e com juro igualado ao juro do custeio de 8,75%. ''Isso minora problema de capital de giro para o setor e pode propiciar que ele realmente faça o plantio adequado que a gente espera''.
O presidente da Conab lembrou que, nesse sentido, o governo lançou três pacotes. Um, para a agricultura familiar; outro para o agronegócio e, agora, ''o governo está disponibilizando R$ 4 bilhões, sendo R$ 1 bilhão que já havia sido liberado; R$ 2 bilhões de imediato, que estão sendo liberados agora, e R$ 1 bilhão de expectativa para daqui a 30 dias se for necessário''. A idéia é minorar o endividamento do setor junto às indústrias de fertilizantes e abrir espaço para que o setor tenha acesso a crédito novo e para que os agricultores possam, dentro das condições do custeio agrícola, ''pegar mais recursos para custear o plantio do ano que vem''.

mockup