Safra de café será 33% menor este ano
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quarta-feira, 17 de maio de 2000
Zuleide de Barros Agência Estado 
A safra de café deste ano vai ficar 33% menor que o previsto, uma vez que a seca iniciada no final de 99 ainda vem prejudicando as lavouras cafeeiras. Com isso, a produção que estava sendo estimada entre 36 e 42 milhões de sacas deverá cair para 28 a 30 milhões de sacas de café. A revelação foi feita pelo coordenador Procafé, do Ministério da Agricultura, José Brás Matiello, que participou ontem do debate A Produção de Café Brasileiro Perspectivas e Problemas, durante o 13º Seminário Internacional de Café de Santos, que está sendo realizado no Casa Grande Hotel, no Guarujá.
Matiello fez uma análise da produção cafeeira dos últimos tempos, lembrando que o Brasil tem produzido em média 30 milhões de sacas por safra, exceto por ocasião da geada registrada em 1976, considerada uma verdadeira catástrofe, quando o País fechou o ano com apenas 10 milhões de sacas do produto. Mas o potencial de produção do café brasileiro, de acordo com o representante do Ministério da Agricultura, é muito grande, devendo atingir nos próximos três anos uma média de 35,4 milhões de sacas por safra.
As campanhas desencadeadas pela Associação Brasileira da Indústria Cafeeira (Abic), para melhoria do produto, segundo Matiello, já chegaram à lavoura. Tanto que os produtores utilizam esse argumento para reivindicar mais financiamentos do governo, salientou. Levando-se em conta o cálculo feito pelo Ministério da Agricultura de que cada lavoura de café necessita de R$ 3 mil por hectare, o financiamento ideal para a toda a produção brasileira seria em torno de R$ 4 a 5 bilhões.
A queda de preços do produto foi outra questão levantada no seminário, fato que, segundo os exportadores, pode fazer com que muitos agricultores brasileiros desistam do plantio. Para Matiello, só há uma saída para garantir o bom desempenho da cafeicultura: irrigação, mecanização e racionalização, ou seja, apoio técnico e controle.
Minas colhe A colheita da safra 2000/2001 de café foi iniciada em poucas regiões do Estado até agora. De acordo com informações do Departamento Técnico da Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), apesar da grande estiagem do ano passado, a colheita não está atrasada e a maior parte deverá ficar concentrada no mês de junho. Entre as regiões que já iniciaram a colheita estão a do Cerrado, no município de Araguari, Zona da Mata e poucas propriedades do sul de Minas. Os técnicos ainda consideram cedo para avaliar os impactos da seca do ano passado em relação às peneiras, apesar de que poderá haver uma redução, de acordo com as primeiras análises. Somente no mês de junho, quando houver um volume maior de café colhido os técnicos afirmam que poderão avaliar o produto.


