Os corajosos cafeicultores paranaenses que permaneceram na atividade após os dois terríveis últimos anos para a atividade começam a enxergar um horizonte mais interessante para a cultura em 2015. Depois das geadas de 2013 que reduziram a área de plantio em 35% e uma estiagem que derrubou a produção da cultura drasticamente no ano passado, aos poucos, o cenário começa a voltar ao normal. O que prova este novo fôlego são os números divulgados esta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base nos dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab).
De acordo com as informações da companhia, a área de produção do Estado saltará de 33,2 mil hectares (ha) da safra 2013/14 para 42,3 mil hectares na safra atual, que está em fase de granação, após as floradas dos meses de setembro, outubro e novembro passados. A elevação é de 27%. No caso da produção, o salto é ainda mais significativo: das 33,4 mil toneladas da mirrada safra passada para 62,2 mil toneladas esperados, algo em torno de 1,1 milhão de sacas e incremento de 86%. Já o rendimento deve saltar de 1.005 kg/ha para 1.471 kg/ha, elevação de 46%.
Em algumas localidades, o salto produtivo é significativo. Em Apucarana, por exemplo, a área teve incremento de 1,58 mil hectares para 3,8 mil (+ 141%), com a previsão de produção saltando de 916 toneladas para 5,5 mil toneladas, alta de 502%. No caso de Ivaiporã, a área subiu 104% e a produção 150%.
Os números impressionam, mas são naturais. Em 2013, após a forte geada, coube aos produtores fazer podas parciais para que, dois anos depois, os cafezais atingidos voltassem a produzir. Não por acaso, no ano passado a área de formação era de 22,4 mil ha e este ano – com os pés de cafés recuperados – caiu para 10,6 mil ha. Essa diferença se tornou novamente área produtiva. "Estamos longe dos 82 mil hectares que o Estado possuía antes das geadas, mas agora as condições de clima estão mais normatizadas", comenta o coordenador estadual da Câmara Setorial do café, Paulo Franzini.
Segundo o especialista, depois de todas as adversidades enfrentadas nos últimos anos, 90% dos que permaneceram na cultura tendem a realizar mais investimentos em mecanização, investem na lavoura e renovação dela, além de focar na produtividade. "O que podemos dizer é que está acontecendo uma recuperação do nível tecnológico para aqueles que persistem na cultura, que sem dúvida está apresentando preços mais interessantes agora", relata Franzini. Segundo o Deral, em dezembro a saca do produto beneficiado fechou em R$ 402,25, alta de 88% frente a dezembro de 2013.
O coordenador da Seab encabeça um projeto piloto em Apucarana que objetiva um levantamento georreferencial das lavouras de café, uma espécie de cadastro das propriedades produtoras, que depois podem ser levados a outras regiões do Estado. "Visitamos algumas propriedades com cafeicultores e aqueles que erradicaram a lavoura em 2013 agora parecem que ficaram com uma ponta de arrependimento. Quem pensa dessa forma pode voltar a apostar na cultura, mas agora plantando num sistema mais moderno e lucrativo", complementa o coordenador.

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