A produção de café para a safra 2001 variará entre 24 milhões e 25 milhões de sacas, ou cerca de 20% menos do que a produção do ano passado, anunciou ontem, em Marília, o presidente do Conselho Nacional de Café (CNC), Gilson Ximenes. A previsão foi feita durante a solenidade de abertura do 26º Congresso Brasileiro de Pesquisa de Café e 6º Encontro de Cafeicultores de Marília, que reuniu mais de 700 produtores e técnicos em cafeicultura de todo o Brasil, no Sun Valley Park Hotel, desta cidade.
Ximenes disse que os dados foram coletados a partir de levantamento feito pelas cooperativas de cafeicultores ligados ao CNC e que a principal causa da redução da safra foi a estiagem que atingiu as regiões produtoras no ano passado. Entre os estados mais afetados estão o Paraná (previsão de quebra de 75%), São Paulo e Minas Gerais (quebra prevista de 40%).
O presidente do CNC lembrou que os dados não são definitivos e poderão sofrer pouca variação, principalmente porque as lavouras cafeeiras de algumas regiões ainda poderão apresentar nova florada. Mesmo que isso ocorra, ele garantiu que as condições da cafeicultura nacional não permitem uma safra de 35 milhões de sacas, conforme chegou a ser anunciado por algumas entidades.
Congresso O 26º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras e o 6º Encontro de Cafeicultores, promovido pelo Ministério da Agricultura, Procafé e Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília, deverá apresentar 72 trabalhos científicos relacionados à lavoura do café no Brasil.
Durante o encontro haverá um seminário sobre os 30 anos de convívio com a ferrugem do café, doença que atinge a totalidade do parque cafeeiro nacional. Duas palestras deverão tratar do controle químico e genético da ferrugem.
O seminário será realizado até sexta-feira e, segundo o coordenador-geral do evento, agrônomo José Bráz Matiello, os trabalhos de pesquisa deverão revelar tendências tecnológicas para a proteção e aumento das safras.
Subestimado A maioria dos cafeicultores evitou comentar os números considerando que por se tratar de previsão preliminar o número será revisado. De maneira geral, paranaenses e paulistas acham que o CNC subestimou os números das perdas causadas pela seca em Minas Gerais e São Paulo, e as geadas no Estado do Paraná. Mas preferem ficar com os números do CNC a acreditar em outras previsões como a do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) ou a da Embrapa, que no ano passado superestimou a produção e prejudicou os preços.

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