Safra de café deve cair até 40%
Guto Rocha
A safra nacional de café em 1997 deve registrar quebra na produção de até 40% em relação à safra colhida este ano. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Estado do Paraná, Devanil Vicente Ferreira, as primeiras estimativas do setor apontam para uma produção inferior a 20 mil sacas de café contra as cerca de 25 milhões de sacas colhidas em 1996.
Com isso, o mercado trabalha com expectativa de alta das cotações. Se não subir, pelo menos vamos conseguir manter os atuais níveis de preços, diz Ferreira. Ontem, no Paraná, a saca do café bebida dura, tipo 6, era cotada a R$ 125,00. Na Bolsa de Nova York, segundo Ferreira, as previsões de quebra na safra brasileira refletiram no resultado do pregão e o produto fechou com alta de 145 pontos para o mês de março.
Ferreira observa que a quebra da safra foi provocada pela falta de chuvas na época da florada do café, no mês de setembro. As maiores quebras devem acontecer nos cafezais de Minas Gerais, responsável por 50% da produção do café brasileiro. A Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé (MG) estima que o Estado colha 8,5 milhões da sacas. O Espírito Santo deve colher 3,8 milhões de saca e São Paulo 2,3 milhões.
Exceção O Paraná será o único estado produtor de café do País a apresentar crescimento na produção de café em 97. As estimativas apontam para uma colheita de 2,2 milhões de sacas contra as 1,3 milhão de sacas colhidas este ano. Ferreira diz que não houve crescimento da área plantada, mas principalmente uma renovação dos cafezais. Os produtores passaram a utilizar o sistema adensado que é uma tecnologia que apresenta maior produtividade e baixos custos, afirma.
Ele observa que o incremento da produção do Paraná é resultado do plantio adensado praticado depois da geada de 1994. Ferreira diz que os bons preços do café naquela época estimularam os produtores a optarem pelo café adensado, por possibilitar a diversificação da propriedade.
Além disso, Ferreira lembra que o Paraná não enfrentou problema com a falta de chuvas ocorrida nos outros Estados durante a florada. A falta de chuva nos outros estados fez com que a qualidade fosse prejudicada, principalmente em Minas Gerais, e com isso, muitos exportadores estão vindo buscar café fino produzido no Paraná, comenta.





