O Brasil deve passar a produzir, pela primeira vez, 100 milhões de toneladas de grãos. Dados divulgados ontem pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, indicam que a colheita da safra 2001/2002 deverá ficar entre 97,7 milhões e 100,3 milhões de toneladas.
Na primeira projeção (uma estimativa prevista na pior das hipóteses) haverá uma redução de 0,3% em relação a safra 2000/2001, que foi de 98,1 milhões de t, segundo números oficializados também ontem pelo governo.
Na segunda hipótese, na qual o Ministério aposta, haverá aumento de 2,2% em relação a este ano. ''Alcançaremos um número que era considerado inatingível'', disse Pratini, ressaltando que o grande desafio não é obter as 100 milhões de t, mas ''saber a quem vender e a que preço. O preço e a renda do produtor é o que importam'', afirmou.
As estimativas divulgadas pelo ministro foram coletadas em pesquisa de campo por 40 técnicos da Conab no período de 30 de setembro a 6 de outubro nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Os dados consideram a compra de sementes, fertilizantes, de máquinas agrícolas e a tomada de crédito pelos agricultores.
A área a ser cultivada no País na próxima safra deverá ficar entre 38,3 milhões de hectares e 39,2 milhões de hectares. Ou seja, haverá um acréscimo entre 2,1% e 4,3% na comparação com a área da colheita 2000/01, que foi de 37,5 milhões de hectares.
O levantamento da Conab confirmou um cenário que já vinha sendo antecipado pelos técnicos do governo e do Banco do Brasil: aumento do cultivo de soja em detrimento do milho da primeira safra, e redução da área destinada ao algodão, em função da violenta queda dos preços desse produto no mercado internacional.
O plantio da soja deverá crescer entre 10% e 13,3% sobre os 13,6 milhões de hectares cultivadas na safra deste ano, o que deverá fazer com que a produção passe de 37,2 milhões de toneladas para até 40,3 milhões de toneladas. Para o milho, o plantio deverá cair entre 10,3% e 7,9% na primeira safra, que já está sendo plantada, mas subir quase 20% na segunda safra (safrinha) que começa a ser plantada em janeiro/fevereiro. ''Os produtores estão antecipando o cultivo da soja para poder plantar o milho logo em seguida'', disse Pratini.
A estimativa da Conab é a de que a colheita de milho fique entre 38,2 milhões e 39,2 milhões de toneladas na próxima safra. Ou seja, 8% ou 5,5% a menos que a colheita 2000/2001, que foi de 41,5 milhões de toneladas.
Apesar de inferior, Pratini de Moraes, lembrou que o volume a ser colhido será suficiente para abastecer o mercado interno, permitindo ainda alguma operação de exportação.
Para o algodão em caroço, a redução na colheita está estimada entre 19,3% e 14,5% em relação a atual safra, que será de 1,522 milhão de toneladas. A previsão, é de que sejam colhidas entre 1,2 e 1,3 milhão de toneladas.
A queda na área cultivada, avaliada entre 11,8% e 17,3% sobre a do ano passado, que foi de 870 mil hectares, foi provocada pela queda de quase 50% dos preços no mercado externo, desde maio passado.
Apesar da redução significativa prevista para o milho e o algodão, Pratini lembrou que haverá crescimento nas lavouras de arroz e de feijão, cujas respectivas colheitas deverão ser de 11 milhões e 3 milhões de toneladas.
Também deverá aumentar a produção de cereais de inverno como trigo e sorgo, embora a Conab só vá ter esse indicativo no ano que vem (o trigo começa a ser plantado em maio/junho). Pratini também chamou a atenção para o crescimento da colheita de trigo deste ano, que - se não houver problemas climáticos no Rio Grande do Sul - registrará um aumento de 78,9%, passando de 1,6 milhão de toneladas em 1999/2000 para 2,967 milhões de toneladas.

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