A ação de especuladores, principalmente, deve manter o preço do feijão em alta por um bom tempo. Essa é a expectativa de Gilberto Martins Bello, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral). Segundo ele, o produtor paranaense está recebendo, em média, R$ 94,30 pela saca de 60 quilos do feijão carioquinha e R$ 70,75 pela do feijão preto. ''Quem tiver produto para vender hoje (ontem) pode conseguir até R$ 100,00 pela saca'', reforçou Roberto Kioti, produtor da região de Mauá da Serra.
Neste momento, o Paraná inicia a colheita da segunda safra anual, também conhecida como safra da seca. A expectativa do Deral é de produção de 176.772 toneladas no período contra 146.015 toneladas registradas na mesma época do ano passado aumento de 21%. Este acréscimo na produção é consequência da ampliação de 13% na área cultivada provocada pela valorização do produto.
Para Marcelo Eduardo Luders, diretor e analista da Correpar Corretora de Mercadorias, a alternância de chuva e sol na colheita da safra do feijão das águas entre novembro e fevereiro - reduziu em 30% a produção, comprometendo o abastecimento. ''Como sempre, vamos ter que importar feijão preto da Argentina e, teoricamente, teríamos que fazer o mesmo com o feijão de cor, mas isso não vai acontecer. Primeiro, porque é muito difícil encontrar outro país que plante o feijão carioca e, segundo, se houvesse, o preço em dólar inviabilizaria o comércio'', opinou.
Bello discorda dessa previsão e afirma que os intermediários e produtores estão segurando o produto para ganhar mais. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os agricultores aumentaram a área de plantio em 12,7 mil hectares que ajudarão o País a colher este ano três milhões de toneladas de feijão. O Paraná continua sendo o líder no ranking nacional contribuindo com 21% do total.
Apesar do acréscimo de 25% no valor dos insumos agrícolas e da disparada no preço dos combustíveis, Kioti continua apostando no 'carioca'. Na safra das águas, ele colheu 80 sacas por alqueire marca que pretende manter agora. ''Na última colheita, as bactérias diminuiram a expectativa de resultado. Desta vez, foi a chuva no início do plantio'', explicou o produtor que, em maio do ano passado, recebeu R$ 55,00 pela saca.

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